sexta-feira, 21 de março de 2014

50 ANOS DO GOLPE MILITAR NO BRASIL - Os militares, a ideologia de segurança nacional e a ação guerrilheira no Araguaia

Por Romualdo Pessoa*
Artigo publicado na Revista Princípios (SP), nº 129, março 2014

Mesmo ao fim da Guerrilha, as políticas adotadas seguiram as linhas definidas pela Ideologia de Segurança Nacional, inclusive nos conflitos que se intensificavam a partir do final dos anos 1970 entre posseiros e grileiros

A estrutura militar do Estado brasileiro e a doutrina de segurança nacional
A crise política brasileira, causada pela renúncia do então presidente Jânio Quadros, em 1961, gerou uma instabilidade institucional e reações nas Forças Armadas que culminou, em 1964, com a deposição do vice que o sucedeu, João Goulart. A Doutrina de Segurança Nacional foi, além do elemento motivador da intervenção militar, a questão basilar que esteve por trás de todas as políticas que foram implementadas, principalmente após 1968, quando o regime assumiu declaradamente as feições de uma ditadura, e toda a sua estrutura estatal foi organizada baseada nos conceitos formulados nas escolas militares.
É preciso considerar os diferentes motivos que originaram o golpe, que se confundem entre questões econômicas nacionais e elementos da geopolítica mundial, com a guerra fria em curso, opondo socialismo x capitalismo, e a construção de valores de cunho nacionalistas conservadores que envolviam civis. Mas todo o seu arquétipo foi montado a partir da Escola Superior de Guerra, tendo à frente seu mais conhecido ideólogo, o general Golbery do Couto e Silva.
Todo o poder político, notadamente os setores estratégicos, e aí compreendendo esse termo vinculado ao conceito de segurança nacional, permaneceram sob o controle dos militares. O planejamento estratégico formulado por Golbery, que pode ser avaliado em livro publicado pela Editora da Universidade de Brasília (SILVA, 1981), tem toda a sua preocupação centrada na “segurança nacional”. Destaco um pequeno trecho desse livro que expõe com clareza essas ideias.
“Limitemo-nos, pois, ao âmbito mais restrito da política de segurança nacional, aquela já tantas vezes definida como visando a salvaguardar a consecução dos objetivos vitais permanentes da Nação, contra quaisquer antagonismos tanto externos como internos, de modo a evitar a guerra se possível for e empreendê-la, caso necessário, com as maiores probabilidades de êxito” (Ibidem, p. 22).
É bem verdade que nos discursos elaborados desde o começo do movimento golpista, dizia-se que o objetivo era ceder a condução política para os civis e retomar o processo democrático no rumo por eles considerado o correto. Nitidamente com o objetivo de garantir com certeza que o Brasil estaria ao lado dos Estados Unidos contra o perigo comunista que encontraria guarida no governo Goulart.
Mas, todos esses fatos se modificaram a partir de 1968. Com a aplicação do Ato Institucional nº 5 e, logo no ano seguinte, com a doença do general--presidente Costa e Silva, não se permitiu a posse do vice-presidente Pedro Aleixo (2). Assumiu, logo em seguida ao afastamento do então presidente, uma Junta Militar composta pelos ministros: Aurélio de Lira Tavares, do Exército; Augusto Rademaker, da Marinha; e Márcio de Souza e Melo, da Aeronáutica. Essa Junta Militar escolheu posteriormente, dois meses depois, o novo presidente, aquele em cujo período de governo se intensificarão a repressão e o endurecimento do regime, ao caracterizar mais destacadamente uma ditadura sangrenta: o general Emílio Garrastazu Médici.
Fortaleceu-se a partir de então, todo o aparato construído com base na Ideologia da Segurança Nacional, que já funcionava desde 1964, mas que recebeu os maiores investimentos a partir desse período, espalhando o terror e impedindo qualquer tipo de manifestação da sociedade civil organizada.
Os que ousaram enfrentar esse aparato militar foram caçados, presos, torturados e assassinados nos porões dessa estrutura, nas sombras de quartéis e delegacias de polícias civil, militar e federal, todas elas enquadradas no organograma do Sistema Nacional de Segurança (Figura 01), comandado a partir do SNI, por um ministro-chefe militar, general obviamente.
Figura 01
Nas palavras do então coordenador da Comissão Nacional da Verdade, Cláudio Fonteles, “(...) o Estado ditatorial era como um polvo negro com tentáculos. A sua cabeça era o Sistema Nacional de Informações (Sisni), alimentado por outros órgãos de informação como o SNI, CIE (Exército), Cenimar (Marinha) e Cisa (Aeronáutica)” (3).
Além disso, por todos os ministérios e órgãos públicos, incluindo universidades, funcionavam as Divisões de Segurança e Informações (DSIs). E os Departamentos de Operações de Investigações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODIS). Ainda havia a Polícia Federal, e até mesmo a estrutura das polícias militares, fato que persiste até os dias de hoje, foi concebida para incorporar esse sistema – e indiretamente estavam vinculadas ao controle da cabeça dessa estrutura.
Segundo Gaspari (2002, p.159),
“Em setembro de 1974 havia no SNI vinte oficiais do Exército”. “Dessa lista de vinte sócios fundadores do SNI saíram um presidente da República (Figueiredo), dois chefes do Serviço (Figueiredo e Octavio Aguiar de Medeiros) e dois chefes da Polícia Federal (Newton Leitão e Moacyr Coelho). Outros cinco (Newton Cruz, José Luiz Coelho Netto, Edmundo Adolpho Murgel, Mario Orlando Ribeiro Sampaio e Geraldo Araujo Ferreira Braga) chegaram ao generalato e tornaram-se destacados chefes nos serviços de informação do regime” (Apud APGCS/HF).
O SNI era o cérebro de um sistema montado desde o golpe de 1964 para manter o controle do poder político e o domínio do Estado brasileiro, nas mãos dos militares. Era a espinha dorsal do regime militar, e ela estava sob o comando e o pulso firme dos oficiais generais, na presidência da República e no Estado-Maior das Forças Armadas (EMFA).
“Pela estrutura logística, o SNI ficou entre os dez mais bem equipados serviços de informações do mundo. Seu poder de alavancagem política foi superior ao da CIA, do Intelligence Service, ou mesmo da KGB” (Idem, p.169).
Naturalmente, toda essa estrutura contava com o apoio civil, inclusive e principalmente, nas DSIs. Mas o comando estava com os militares. Inclusive na Operação Bandeirante (OBAN), tida como uma prova do envolvimento de grandes empresários, portanto civis, na “condução do regime” (sic).
Figura 02
A OBAN foi gestada dentro do Sistema Nacional de Informação, e também ela não fugiu ao controle dos generais que estavam em seu comando. Assim como a malfadada Operação Condor, montada por esse sistema de informação e repressão brasileiro que se espalhou por outros países da América Latina, com o apoio da CIA (Figura 02). Constituía-se, assim, um regime militar, que se tornou uma ditadura violenta e descontrolada. Contando com o apoio e a participação de elementos da sociedade civil.
Portanto, do início (1964) ao fim (1985) o comando do regime sempre esteve nas mãos dos militares, das suas mais altas patentes, e toda a condução da política seguia-se às estratégias definidas pela DSN (Doutrina de Segurança Nacional) executadas pela estrutura militar-repressiva.

O combate à guerra revolucionária e a identificação do “inimigo interno”
A ideologia da segurança nacional, que direcionou as políticas públicas durante o regime militar brasileiro, teve suas bases ideológicas firmadas nos EUA, onde a doutrina que a sustentava foi criada pelos geopolíticos daquele país. Suas ações eram direcionadas para a proteção daquelas áreas consideradas estratégicas pelos estadunidenses e para manter, ou construir, regimes políticos que lhes fossem favoráveis.
A partir da década de 1960 inúmeros programas e ações foram aplicados no sentido de reforçá-los, e, também, apoiar os militares na aplicação de golpes de Estado contra governos que porventura ameaçassem estabelecer relações políticas com países da chamada “Cortina de Ferro”, ou os países socialistas, inclusive a China.
E, na América, com a pequena ilha de Cuba, que após um processo revolucionário alinhava-se com a União Soviética e a transformava em alvo principal no continente americano. No âmbito da Guerra Fria, os militares da “Sorbonne brasileira” optaram por firmar compromissos com a geopolítica estadunidense, fosse por pragmatismo político ou pela preservação dos valores da civilização ocidental-cristã. “No Brasil, consequentemente, a geopolítica serve de firme suporte para a bipolaridade e a adesão da Nação à luta anticomunista no interior da segurança nacional” (COMBLIN, 1978, p. 30).
Três conceitos, segundo Coblin (1978), compõem a espinha dorsal da Doutrina de Segurança Nacional: “A guerra generalizada, a guerra fria, e a guerra revolucionária” (Op. cit., p.33).
A partir do conceito de “guerra revolucionária” os militares brasileiros se uniram às formulações ideológicas estadunidenses para construir um ideário semelhante ao daqueles, e que será responsável por construir, no Brasil, uma estrutura de segurança nacional implacável, que se estendeu nos momentos de maior radicalidade contra os grupos de esquerda lhes faziam oposição, muitos dos quais sem optarem pela luta armada.
Definido o inimigo externo, os estrategistas da “Segurança nacional” passaram a identificar em todos os processos de lutas na América Latina a presença do comunismo. Procuraram construir uma estratégia contrarrevolucionária considerando não haver distinções entre os vários tipos de guerras. Fossem de libertação, guerrilhas, subversão, terrorismo. Para eles, tudo eram “fases diferentes de um único processo, o da guerra revolucionária” (COMBLIN, 1978, p. 44).
Passaram a ver a guerra revolucionária mecanicamente, de forma maniqueísta e dentro dos princípios da bipolaridade. Buscavam combatê-la mediante a utilização de técnicas semelhantes utilizadas pelo inimigo, na crença de que obteriam, assim, as mesmas possibilidades de sucesso. O que significava, necessariamente, ganhar o apoio do povo. Segundo Comblin (Op. cit., p.44), esse teria sido o principal erro cometido no combate aos guerrilheiros do Vietnã e que seria também aplicado no continente americano.
Fechados em suas concepções de Segurança Nacional, e ao considerarem que a população da América Latina e do terceiro mundo não possuíam nenhuma afinidade em sua história com o ideário comunista, menosprezavam o processo histórico de seus países e a violência que se abatia por séculos contra esses povos.
A estratégia deveria, portanto, se basear em técnicas que fossem capazes de superar os soviéticos. Os guerrilheiros e “subversivos” que lutavam as guerras revolucionárias eram vistos como meros instrumentos de Moscou, e para derrotá-los era suficiente estabelecer o controle da população, tirá-la da influência desses grupos, impedir que a propaganda revolucionária encontrasse respaldo entre a população e isolar os combatentes, para poder destruir toda a sua organização.
Por essa compreensão, seria natural que todos os que porventura simpatizassem com a luta guerrilheira fossem considerados inimigos. Espelhando-se nas lutas anticolonialistas que se espalhavam pelo mundo, onde os grupos de libertação nacional obtinham apoio da União Soviética, os estrategistas militares que criaram a Doutrina de Segurança Nacional procuraram aperfeiçoar as técnicas adotadas nessas lutas, e o exemplo mais marcante é a da guerra de libertação da Argélia. Buscaram as mesmas táticas, como estratégia para uma contrarrevolução.
O mais importante seria, então, o trabalho de inteligência que identificasse e localizasse o inimigo, e isso deveria ser feito anteriormente ou paralelo ao combate que se travava, de forma a transformar em alvo todos os simpatizantes e grupos favoráveis à causa revolucionária.
Em seguida trata-se de detectar todos os membros da subversão. As técnicas são as mais variadas: presença permanente em toda parte: nos locais de trabalho, de transporte, de recreio; prisões rápidas, informações. Principalmente informações. Nessa guerra, a arma decisiva é a informação. Ela é necessária através de quaisquer meios. Os revolucionários sabem o que os espera. A tortura é a regra do jogo.
Se a inteligência é um dos polos da guerra contrarrevolucionária, o outro polo é a ação psicológica. Trata-se de manter o povo afastado de qualquer contato com a subversão. Existem, com essa finalidade, técnicas de organização da população (...) formação de brigadas, propaganda para controlar qualquer crítica. Finalmente, existe o que se denominou, nos Estados Unidos, a ação cívica militar: encontram-se equivalentes em toda parte, na América Latina: os exércitos seguem fielmente as receitas. A ação cívica militar nasceu por iniciativa de Kennedy (COMBLIN, 1978, p. 46).
Todo esse processo identificado nesse estudo de Joseph Comblin, que traça uma radiografia da Ideologia de Segurança Nacional, pode ser atestado empiricamente a partir dos estudos das estratégias adotadas no combate à Guerrilha do Araguaia, bem como na maneira como os Planos de Ação do regime militar foram impostos para a região sul do Pará, e para toda a Amazônia.
Mesmo ao fim da Guerrilha, as políticas adotadas seguiram as linhas definidas pela Ideologia de Segurança Nacional, inclusive nos conflitos que se intensificavam a partir do final dos anos 1970, entre posseiros e grileiros.
Muitos dos relatórios dos órgãos de segurança, disponíveis e obtidos junto ao Arquivo Nacional, demonstram que, para além do Movimento Guerrilheiro, e até o período de transição, entre o fim do regime militar e o novo governo civil da chamada “Nova República”, o que movia as ações dos órgãos do Estado militar brasileiro eram as concepções que fundamentaram todo o ideário da ditadura militar, inspiradas nessa ideologia.
Tratava-se, ainda, de identificar como “inimigo interno” aqueles que se opunham ao regime vigente e procuravam “subverter” a ordem estabelecida, fundada nos valores “cristão-ocidentais”. Seguindo-se esses preceitos, tornava-se essencial separar os “subversivos” do meio do povo, e combatê-los implacavelmente, como representantes do “comunismo internacional”.
Incluíam-se dentre esses, padres e missionários, que seguiam a linha da Teologia da Libertação e buscavam orientar-se, segundo essa doutrina, por uma “opção preferencial pelos pobres”, lema que eles adotavam, dando apoio aos camponeses e posseiros na luta pela terra.
Sobre todos eles os rótulos de subversivos e terroristas eram usados com frequência, e a estratégia utilizada para afastá-los do povo, e que num primeiro momento deu certo, era, portanto, a utilização dos meios disponíveis na estrutura do Estado que possibilitariam atender à população em áreas em que havia fortes carências de assistência pública.
O que deveria ser feito de forma permanente passava a ser feito ocasionalmente, obedecendo aos interesses estratégicos, que fazia parte da preparação dos militares no combate contrarrevolucionário, no âmbito da ideologia que os moviam.
Um dos pontos dessa estratégia foi a ação cívico-militar, formulada em suas origens nos Estados Unidos. Ela foi aplicada em vários momentos, durante e depois da Guerrilha do Araguaia, na região sul do Pará, denominada “Operação Cívico Social” (ACISO) (4).
A ação cívica é uma defesa contra a subversão: é ação preventiva e é também uma resposta. Os militares são chamados a assumirem tarefas públicas para o bem-estar da população (estradas, edifícios públicos), serviços de saúde pública, serviço social etc. Em suma a ação cívica consiste em tomar em mãos as tarefas de um governo. Graças à idealização dessa “ação cívica”, os militares se convencem de que só eles são capazes de organizar o desenvolvimento de seu país (COMBLIN, 1978, p.143).
Assim, desde a política específica através de ações para combater iniciativas consideradas subversivas, bem como no intenso conflito que atraiu as atenções para os problemas existentes na Amazônia Oriental, toda a estratégia utilizada pelos governos militares obedeceu à Ideologia de Segurança Nacional. E, por ela, os ferrenhos combates contra os guerrilheiros transformaram-se, ao final da Guerrilha, em perseguições, prisões, torturas e assassinatos de lideranças camponesas, padres da teologia da libertação e comunistas por todo o sul do Pará e o norte do Tocantins, por toda a área conhecida como “Bico do Papagaio”, uma das regiões brasileiras de maior concentração de luta e resistência à ditadura militar, à pistolagem e ao poder do grande latifúndio.
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*Romualdo Pessoa Campos Filhos é graduado e mestre em História, doutor em Geografia pela Universidade Federal de Goiás. Professor adjunto efetivo desta instituição, atua na área de Geopolítica. É autor do livro Guerrilha do Araguaia, a esquerda em armas, publicado pela Editora Anita e Fundação Maurício Grabois.


NOTA DO AUTOR – Desde quando iniciei a minha pesquisa sobre a Guerrilha do Araguaia, em 1992, entendi que somente seria possível compreender o que havia levado os guerrilheiros do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) a se embrenharem nas matas do Araguaia buscando o fio da meada, ou seja, as origens do golpe militar de 1964. Até por uma questão metodológica, da aplicação da dialética materialista na conjuntura histórica brasileira daquele período. Recentemente, concluí mais uma parte desta pesquisa, encerrando um doutorado defendendo uma tese onde analiso a região do Araguaia no período posterior à Guerrilha, a “Operação Limpeza”, que procurou sumir com os corpos dos guerrilheiros e de camponeses mortos no conflito, a pistolagem e sua relação com a estrutura montada pelo major Curió, a rede de espionagem que se criou na região, o seu QG montado a partir de Serra Pelada e a perseguição e assassinatos de lideranças comunistas, padres e camponeses. Este artigo é originado da segunda parte desse trabalho. Em abril o livro "Araguaia: Depois da guerrilha, outra guerra - A luta pela terra no Sul do Pará, impregnada pela Ideologia da Segurança Nacional (1975-2000), será lançado pela Editora Anita Garibaldi e Fundação Maurício Grabois.
Notas
(1) Araguaia: Depois da Guerrilha, uma outra guerra – A luta pela terra no Sul do Pará, impregnada pela Ideologia de Segurança Nacional. Tese de doutorado em Geografia, defendida em novembro de 2013 no Instituto de Estudos Socioambientais da UFG, orientada pela professora doutora Celene Cunha M. A. Barreira.
(2) O Congresso Nacional inclusive já aprovou uma lei, sancionada pela presidenta Dilma Rousseff, de nº 12.486, de 12 de setembro de 2011, que “inclui o nome do cidadão Pedro Aleixo na galeria dos que foram ungidos pela Nação Brasileira para a Suprema Magistratura”.
(4) Ver CAMPOS FILHO, 2012, p.153: “Procurando abranger toda a área conflagrada, a Operação ACISO levou para a região médicos e dentistas, distribuiu remédios e vacinas em grandes quantidades, patrulhou estradas, legalizou posses, doou terras através do Incra, e ainda perseguiu pistoleiros e grileiros”.

Fontes consultadas
CAMPOS FILHO, Romualdo Pessoa. Guerrilha do Araguaia, a esquerda em armas. São Paulo: Anita Garibaldi/FMG, 2012.
CARNEIRO, Ana & CIOCCARI, Marta. Retrato da repressão política no campo – Brasil 1962-1985 – Camponeses mortos, torturados e desaparecidos. Brasília: MDA, 2010.
CASTRO, Therezinha de. Geopolítica: princípios, meios e fins. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército Editora, 1999.
COMBLIN, Pe. Joseph. A ideologia de segurança nacional – O poder militar na América Latina. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978.
GASPARI, Elio. As ilusões armadas (I) – A ditadura envergonhada. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.
SILVA, Golbery do Couto e. Conjuntura política nacional e o Poder Executivo & Geopolítica do Brasil. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1981.

____________. Planejamento estratégico. Brasília: Editora UnB, 1981.

sexta-feira, 7 de março de 2014

BOTANDO OS PINGOS NOS “IS”

Legenda: Ego-Sistema
Aproveitando o longo feriado carnavalesco, e estando definitivamente afastado dessa festa momesca desde que perdi minha filha, em 2007, resolvi ser mais um seleto espectador de uma enorme diversidade de filmes para todos os gostos, na Mostra “O Amor, a Morte e a Paixão”. Pudemos ver por aqui, nos sertões brilhantemente intelectualizados dos cerrados goianos, antes que paulistas e cariocas, sempre à frente dos principais lançamentos cinematográficos de qualidade, uma enorme gama de filmes premiados em diversos festivais do mundo, incluindo Cannes, Berlim e o Oscar.
A mostra, competentemente organizada pelo curador Lisandro Nogueira, atual presidente da Cinemateca Brasileira (http://www.cinemateca.gov.br/) e os Cinemas Lumiére/Bouganville, tem como parceiros a ADUFG-Sind e o SINTEGO. Por isso temos a satisfação de entre um e outro filme podermos trocar opiniões sobre diversos assuntos com amigos e colegas. Numa época caracterizada por uma intensa complexidade e pela profusão de rebeldias, focadas em reivindicações locais, ou em interesses geopolíticos globais, pauta é o que não falta para os debates entre amigos e colegas. Além dos temas abordados em filmes carregados de polêmicas e roteiros que trazem toda essa complexidade e nos brindam com a possibilidade de debatermos intensamente.
Num desses encontros, fui interpelado por alguns amigos. Espantavam-se com as postagens e comentários que frequentemente insiro nas redes sociais. Diziam que eu estava erroneamente defendendo o governo “petista”, o que consideravam um absurdo.
Tenho comigo, sempre, que uma boa amizade não se perde para a política. Por isso mantenho convivências harmoniosas com amigos que circulam entre todos os setores e/ou partidos políticos. Particularmente, mantenho minha filiação ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB), ao qual tenho ligação desde meus tempos de movimento estudantil. Aliás, desde quando entrei na Universidade em 1980. Naquele ano ingressei no Centro Acadêmico de História, participei do meu primeiro Congresso da UNE, e fui “recrutado” para o movimento comunista. Minha militância sofreu oscilação ao longo dos anos. Afastei-me de Goiânia, fui dar aulas numa Faculdade em Araguaína, retornei à Goiânia, fiz mestrado na UFG e no ano em que o finalizei ingressei na Universidade Federal de Goiás como docente. Primeiro como professor substituto e no ano seguinte como efetivo. Era o ano de 1995.
1981: Av. Tocantins, 7 de setembro.
Greve nacional dos estudantes.
Embora as reminiscências da vida tenham freado o meu ímpeto revolucionário, que me impulsionou na minha juventude, mantive ideologicamente minha proximidade com os valores que construíram uma visão de mundo, pautada firmemente nas teorias e experiências do marxismo, da dialética e do materialismo. Essas mesmas agruras me fizeram mais tolerantes, e pelo apoio e solidariedade recebidos em momentos difíceis de minha vida, quando da perda de minha filha, compreendi que as barreiras existentes entre concepções diferentes de mundo, já que são muitas as ideologias que nos cercam, não podem destruir uma amizade. O que era difícil antes, poder dialogar com aqueles que enxergavam o mundo por um paradigma diferente do meu, tornou-se uma prática comum, simplesmente porque mantive como prioridade nessas relações a defesa da amizade.
Mas, e aqui entro no mérito da questão, isso nunca significou para mim, abrir mão de determinados princípios, valores construídos com convicções e referendados pelo que eu sempre experimentei no cotidiano de uma vida vivida com dificuldades, e com uma trajetória de superação de problemas sociais, que nas décadas de 1970 e 1980 eram infinitamente maiores do que as que conhecemos nos dias de hoje. In-com-pa-rá-veis. Não somente pelo anacronismo no qual incorreríamos, mas pela própria realidade sentida no cotidiano de ontem e de hoje. Para além da certeza que temos da necessidade de prosseguirmos nas mudanças, objetivando, naturalmente, aquilo pelo qual sempre defendi enquanto concepção revolucionária de mundo: por fim às desigualdades sociais e às absurdas e injustas concentrações de riquezas nas mãos de uma minoria.
Ocorre que a interpelação que gerou essa iniciativa, de produzir um texto, partiu, e sempre tem partido em outras ocasiões, de antigos militantes de esquerdas, amigos hoje que no passado ou militavam nas mesmas fileiras partidárias ou eram adversários, defensores de ideias mais sectárias e radicais do que as que eu defendia. Pelo menos no discurso, na aparência. Em minha opinião, naturalmente.
Mais interessante, para analisarmos buscando a ajuda não somente dos clássicos marxistas que sempre nos orientavam ideologicamente, mas, quem sabe, incluirmos aí um pouco das concepções freudianas, é saber que os ataques mais virulentos partem de antigos militantes de correntes que antigamente compunham o Partido dos Trabalhadores. Agora duramente criticado.
Quero dizer, no entanto, que comungo de algumas das críticas feitas por esses colegas, quanto aos rumos tomados por aqueles que, outrora esquerdistas radicais, transformaram-se quando da ascensão ao Poder. Creio ser essa quase que uma tendência natural, infelizmente. Pelo choque do que significa gerenciar o Estado, na concepção mais geral, em que se incluem todas as estruturas burocráticas administrativas; ou pela sedução que acompanha o Poder e que desperta os piores sentimentos, dentre eles a vaidade, a arrogância e o oportunismo. É difícil ser refratário a eles, mas é possível resistir. Com a firmeza ideológica.
Amigos e amigas desde tempos
de militância estudantil. Juntos
para além das divergências políticas
Mas divirjo pelo viés conservador, e pelo ódio que carrega e deforma boa parte dessas críticas. Muitas delas parecendo muito mais buscar uma justificativa para uma escolha, de mudança dos paradigmas que os fazem enxergar outra visão de mundo, do que visando as ausências de ações que executem aqueles velhos princípios pelos quais lutaram em décadas passadas.
Principalmente, porque no afã de encontrar uma justificativa para suas novas escolhas, à direita, cegam-se, ou fingem não ver as transformações pelas quais passou o nosso país desde os intensos anos de luta contra a ditadura até os dias atuais. Principalmente, e isso é inegável, até mesmo por avaliadores internacionais e entidades que reconhecem programas que transformaram a realidade de milhões de brasileiros, a partir do começo do século XXI. Algumas mudanças, inegavelmente, se iniciaram no governo de Itamar Franco, com a estabilidade monetária e a criação do Plano Real, prosseguiram lentamente durante o governo Fernando Henrique Cardoso, mas com um viés nitidamente neoliberal, mas foram expandidas e potencializadas durante os governos Lula/Dilma.
Não restam dúvidas, que muitas das bandeiras pelas quais lutávamos estão longe de terem sido implementadas. Auditoria sobre as dívidas brasileiras; reforma agrária; controle sobre o capital estrangeiro; fim das privatizações; salário mínimo conforme exige a Constituição; salário dos professores ao nível de outros profissionais de carreiras do Estado brasileiro; ensino público, gratuito e de qualidade. Etc, etc, etc...
Mas a política brasileira impõe dificuldades para transformações radicais, na medida em que se torna necessário a composição com forças políticas conservadoras, majoritárias no Congresso Nacional onde a esquerda se reduz a um mínimo de um quinto do quantitativo de parlamentares ali presentes.
Nada disso, contudo, é capaz de frear o ímpeto conservador e raivoso daqueles amigos que optaram por seguir um novo curso em suas vidas. Compreendo o rigor de suas críticas, e o ódio que transcende a racionalidade do discurso, como uma justificativa para suas novas escolhas. O que para mim é desnecessário, pois ao longo dos anos, conforme disse anteriormente, fui sabendo separar a relação de amizade com as escolhas ideológicas dos amigos.
Pode ser que em determinado momento da vida política do país tenhamos que fazer outras escolhas. Sabemos como isso acontece por conhecermos processos históricos e políticos de países onde a luta sectária atingiu o ápice e levou a embates violentos separando velhos amigos, e até mesmo famílias. Torço para que o Brasil esteja livre de seguir por esses caminhos traumáticos. Mas o discurso do ódio, disseminado pela classe média, pelos setores conservadores e pela grande mídia corporativa, tem se intensificado na medida em que se aproximam os dias de debates eleitorais. E as estratégias adotadas por países em crises, como EUA e algumas potências europeias fragilizadas economicamente, de gerar instabilidades em países estrategicamente importantes para voltar a contar com governos que lhes sejam confiáveis, e poderem aplicar as receitas neoliberais, fazem com que a situação fuja do controle de muitos desses governos mais progressistas. Isso pode também acontecer por aqui.
Mas apontar esses riscos, ou considerar os avanços obtidos no campo social, soa para esses antigos companheiros como defesa do “jeito petista de governar”. O que significa dar vazão a todos os ataques feitos por esses setores midiáticos.
Porquanto eu possa ter crítica à ausência de iniciativa no atendimento de reivindicações históricas, e até mesmo seculares, como no caso da Reforma Agrária, à manutenção de uma política econômica de viés neoliberal, com elevação das taxas de juros a níveis estratosféricos, ou à covardia em se recusar a atacar com firmeza o monopólio da informação e não conter os desvarios de uma mídia golpista, que tende a repetir o papel que desempenhou durante o golpe militar de 1964, não me vejo como replicador de ataques que poderia levar o país a um retrocesso político. Principalmente do ponto de vista do atendimento das questões sociais.
EU NÃO VIVO DO PASSADO, O PASSADO VIVE EM MIM.
Anos atrás escrevi um texto, publicado aqui mesmo no Blog, em que eu descrevia a minha trajetória política e encerrava a militância, ou o engajamento partidário tal qual eu fizera até um momento crucial em minha vida. A partir dali, lutando para superar uma depressão causada por uma perda inestimável, compreendia que o caminho que eu deveria trilhar seria aquele que profissionalmente eu tinha escolhido: a Universidade.
Não quero dizer que haja incompatibilidade entre militar ativamente na política e ser um professor universitário. Mas eu não me prendia às questões de compatibilidade, e sim de escolhas.
Contudo, muito embora sinalizando com a possibilidade de eventualmente poder contribuir em funções do Estado, em setores estrategicamente ligados à minha área de atuação, eu abdicava da militância. Mas, em nenhum momento afirmei que abria mão de minhas concepções políticas e ideológicas, daquelas que me guiaram por três décadas e pelas quais eu mantinha, e mantenho profundas afinidades.
Isso, naturalmente, me leva sempre a analisar a política dialeticamente, e compreendendo os embates que despontam no Brasil e no mundo, seguindo-se a lógica irrefutável apresentada por Karl Marx: a luta de classes. Tentada ser encerrada nos anos 1990, auge do avanço neoliberal pelo mundo, quando muitos intelectuais, antes defensores das análises marxistas, “bateram em retirada”, e esconderam-se covardemente nas abordagens de cotidiano e das migalhas da história.
Esse momento que vivemos, de pressão conservadora e de ações provocativas com o intuito de gerar instabilidades políticas pelos setores que não conseguem retomar o poder dentro do processo democrático tradicional, mas ao mesmo tempo de insatisfações crescentes de uma massa que aprendeu que pode querer, e quer mais do que tem sido lhe garantido, cria um divisor de águas. A minha verve marxista, revolucionária, embora diletante e não mais militante, fala mais alto. Parto da análise dialética das contradições, do choque dos contrários e da luta de classes e me defino como dantes. Assumo com prazer o lado onde sempre me mantive, ao longo de quatro décadas.
Por isso, ao escrever o artigo citado[1] recorri a uma frase de Paulinho da Viola que ele diz no DVD “Meu Tempo é Hoje”: “Eu não vivo do passado, o passado vive em mim”.
Mantive-me ao longo desses últimos anos distantes das agitações políticas, mas não me desvinculo de minha ideologia. Até porque no meu cotidiano convivo com alguém que herdou essa verve revolucionária, às vezes sem a devida temperança (como era também o meu estilo), meu filho, que segue meus passos, mas com passadas mais largas do que as que eu dei. Não me comporto como antes, reconheço, talvez um pouco conservador ou mais conciliador, mas sabendo distinguir com base naquilo que aprendi ao longo de meus melhores momentos de embates políticos, o que é o joio e o que é o trigo.
Documentário que apresenta
vários fatos acontecidos
no mundo
Isso é suficiente para delimitar meu campo. Por mais que eu tenha que ser tolerante nas críticas vociferantes e carregadas de ódios, inexplicáveis, de alguns de meus amigos, elas jamais serão suficientes para me convencer de mudar o rumo do meu destino. Não que seja porque ele tenha sido “traçado na maternidade”, mas porque sempre soube, na vida, e no que aprendi ideologicamente, em qual lado eu deveria me situar na luta de classes. Mais do que uma questão de escolha, é principalmente de origem social. Se estivesse na Venezuela, certamente eu seria bolivariano. Para desespero desses meus amigos.
Mais farei um convite aos mais próximos. Assistirmos juntos, tomando um bom vinho aos filmes: “O declínio do Império Americano”[2] e “As Invasões Bárbaras”[3]. Teremos assuntos para além da revolução, ou dos golpes “suaves” de Estado que se espalham pelo mundo.




[1] http://gramaticadomundo.blogspot.com.br/2013/01/a-encruzilhada-os-proximos-anos-do.html
[2] O Declínio do Império Americano (Le Déclin de l'Empire Américain), de Denys Arcand. Canadá, 1986, Cores, 101 min. Com: Dominique Michel, Dorothée Berryman, Louise Portal. O que pensam realmente as mulheres dos homens? De que é que falam quando eles não estão presentes? E os homens, de que falam? Enquanto Rémy, Pierre, Claude e Alain, professores na faculdade de História, preparam um jantar requintado, as suas companheiras, Dominique, Louise, Diane e Danielle, treinam-se num ginásio. Os homens falam sobre as mulheres, as mulheres sobre os homens. Estas duas conversas põem em evidência as mentiras de uma época e mostram que cada um deles procura a felicidade individual a qualquer preço. Fantasias, tentação, desejo, indiscrições, infidelidade, confissões são os ingredientes do argumento. "O Declínio do Império Americano" (1986), de Denys Arcand, que foi um dos maiores sucessos do cinema canadiano e foi apresentado na Quinzena dos Realizadores em Cannes. Disponível no Youtube: http://www.youtube.com/watch?v=DVxnkiMqZak
[3] As Invasões Bárbaras (Les invasions barbares) – É um filme franco-canadense de 2003 realizado por Denys Arcand. Direção: Denys Arcand. Prêmios: Oscar de melhor filme estrangeiro. Elenco: Rémy Girard, Marie-Josée Croze, Stéphane Rousseau. Considerado um dos melhores filmes de 2003, "As Invasões Bárbaras" é um filme raro. Emocionate sem ser piegas e ao mesmo tempo moderno. O diretor Denys Arcand promove o reencontro dos amigos de "O Declínio do Império Americano" dezoito anos depois. Eles estão juntos novamente para se despedir do divorciado Rémy, abatido por um câncer raro. A reunião é promovida por seu filho yuppie. Sensível, envolvente, com um humor afinadíssimo e muito inteligente, "As Invasões Bárbaras" ganhou dois prêmios no Festival de Cannes: Melhor Roteiro e Melhor Atriz (Marie-Josée Croze), além de ser Indicado ao Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro. Fonte: filmesdecinema. Disponível no Youtube: http://www.youtube.com/watch?v=jATYBTQ4Z9c

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

SOBRE MÁSCARAS, VIOLÊNCIAS E O DIREITO DE SE MANIFESTAR

NIHIL HUMANI A ME ALIENUM PUTO! (NADA DO QUE É HUMANO ME É ESTRANHO)

Essa era a máxima preferida de Karl Marx.
Creio que ela serve para analisarmos o que se passa nas redes sociais. Sabe-se lá com que intenção, alguém (alguns) identificaram uma pessoa com o mesmo perfil do responsável pela morte do cinegrafista da Band e, em uma montagem, para dizer que as TVs estavam manipulando a informação sugerem ser aquele outro o culpado. Por estar conversando com os policiais, certamente imaginaram ser algum agente infiltrado. Ora, essa pessoa teria visto sua foto circulando na rede e já se identificou, certamente preocupado e indignado por tornar-se suspeito. Supõe-se. Essa postagem teve milhares de compartilhamento. O bizarro disso é que os indivíduos responsáveis por detonarem o explosivo, já estavam presos e são réus confessos. Os dois, identificados por vários ângulos, assumiram a responsabilidade, embora um acusasse o outro por acender o explosivo. Qual o objetivo de tentar acusar outras pessoas aleatoriamente? Claro, existem interesses escondidos. Mas talvez poucas pessoas saibam que boa parte dos perfis que existem na internet, é falsa. São os chamados "fakes". Então é melhor se informar antes de reproduzir algo que sirva a interesses escusos.
O fato é que esses comportamentos que levam alguns jovens a exacerbar em seus atos e a agirem com a mesma violência e estupidez com que agem as forças repressoras, causa um efeito colateral sério, e cria os pretextos dos quais necessitam as forças reacionárias e fascistas para limitar os direitos democráticos de manifestação, bem como criminalizar os movimentos sociais, e a exigirem governos mais duros e policialescos. Esses foram argumentos utilizados para a efetivação do golpe militar em 1964. Com essas atitudes prestam um desserviço aos que, criticamente, lutam por transformações mais radicais de forma organizada. Organização que eles repudiam, e agem de forma anárquica, sem objetivos políticos definidos.
A morte desse trabalhador, lamentável sob todos os aspectos, terminou por servir à mídia conservadora dar destaque e pressionar parlamentares para endurecer legislações contra as manifestações.
No combate que fazíamos ao regime militar, já na decadência desse poder, jamais nos faltou coragem e nunca nos sentimos intimidados ou amedrontados com todo o aparato repressor que nos oprimia e que enfrentávamos nas ruas. Sem máscaras, sem armas, num momento em que sabíamos enfrentarmos um regime fragilizado politicamente e que precisávamos do apoio da sociedade.
Repelir a sanha fascista com a mesma estupidez seria, naquele momento, contraproducente, e nos impediria de obter o apoio que necessitávamos para isolar a ditadura e trazer o apoio de toda a sociedade para a transição democrática.
Não foram poucos, e eu me incluo nessa lista, os que sofreram a brutalidade dos cassetetes, do gás lacrimogênio, dos fuzis apontados no peito, das prisões e espancamentos, e dos fichamentos nos antigos DOPS e na Polícia Federal. Sem contar as intermináveis "visitas" às delegacias. Mas agíamos de cara aberta, embora ainda fosse uma ditadura.
No movimento que realizamos em Goiânia, em 1982, contra os aumentos nos ônibus urbanos, denominado "pula catraca", quando resistimos por mais de três meses sem pagar passagens, vencemos pela resistência. Foram tantas as vezes que fomos detidos, e ônibus desviados para delegacia com dezenas de estudantes que haviam pulado a catraca, que os próprios delegados em determinado momento determinaram às empresas de ônibus que não nos levassem mais para que as ocorrências fossem registradas. E assim, muito embora tendo custado a depredação de centenas de ônibus em atos violentos, conquistamos nossos objetivos. Com organização, resistência, determinação e coragem. Sem reagirmos no mesmo nível que a repressão policial.
Essa foto que ilustra a postagem do artigo escrito para o Blog Gramática do Mundo, é do movimento que organizamos na década de 1980, quando depois de meses de "pula-catraca". Conquistamos o meio-passe. Ontem (19/02), também fruto da luta travada pela juventude estudantil, o governo do Estado de Goiás anunciou o fim da querela do passe-livre. Os estudantes podem comemorar mais uma conquista. O direito à manifestação deve ser sagrado, é a condição de pressionar dirigentes, mas, claro, dentro de um certo limite. O uso de máscara, jamais foi aceitável por nós, que travamos lutas homéricas, porque podia esconder eventualmente um provocador, elemento infiltrado disposto a jogar a opinião pública contra o nosso movimento. Mas considerar essas manifestações, mesmo as que excedem no limite do aceitável, como ato de terrorismo é um exagero abominável. O momento que vivemos é complexo, mas não há no curto prazo nenhuma ameaça à democracia. As liberdades políticas são muito mais consistentes do que nos anos de chumbo, ou mesmo nos seus estertores, nos três primeiros anos da década de 1980.
Mas, muito embora saibamos, como bons marxistas, que “a história não se repete”, a não ser como farsa, ou tragédia, podemos encontrar semelhança entre o ambiente político pré 1964 e o que estamos vivendo. A infiltração em manifestações e organizações sociais por agentes da repressão, obviamente prossegue. O grau de espionagem existente atualmente é muito maior, e cabalmente demonstrado nas denúncias feitas por Edward Snowden, analista de sistema que servia à ANS (Agência Nacional de Segurança), dos EUA. Tal qual há 50 anos, há interesse desse país, como de muitos elementos reacionários brasileiros em criar um ambiente de insegurança que leve à população, pelo medo, exigir governos mais duros e ditatoriais.
Aliás, já escrevi a respeito da inversão que se faz ao filme “V, de Vingança”. Ali, o personagem se revolta exatamente contra a manipulação feita por quem pretendia um poder forte. A violência se tornou constante, o regime refluiu no combate e o medo, ao tomar conta da população, a jogou para os braços de um ditador, que militarizou o poder estatal. Foi contra isso que “V” se insurgiu.
O que se vê pelos meios de comunicação, destacadamente nas grandes redes é uma ênfase às notícias sobre fatos violentos, e um clamor crescente da população por mais “segurança”, significando isso mais polícia nas ruas. Ou seja, enquanto nas ruas os manifestantes clamam por desmilitarização da polícia, nos bairros, principalmente os periféricos, a população exige mais polícia, para combater o que a mídia aponta como um descontrole do Estado para conter a violência. No que eu identifico como uma “geopolítica do medo” sendo maquiavelicamente implantada.
Embora a violência exista, e esteja vinculada principalmente ao tráfico de drogas, ela não é combatida em sua essência. Nem as críticas que se fazem a ela dão ênfase às contradições que fazem do capitalismo um sistema profundamente injusto e desigual.
Ao não desejarem participar de organizações de caráter político, e abominarem os partidos políticos, mesmo os que se intitulam revolucionários e socialistas ou comunistas, esses manifestantes deixam de analisar a conjuntura política com base em fatos concretos e na realidade objetiva. Novas "realidades" são perversamente construídas por outros setores da política, que se beneficiam com esses comportamentos, o que leva a fortalecer a indústria do medo, e a exigência de governos fortes, militarizados e com uma base de parlamentares mais conservadores.
Não há dúvidas de que há infiltração nessas manifestações. Tanto por organizações políticas, que temem se apresentar abertamente por medo das reações dos “Black blocs” e visam também “recrutar” novos militantes entre aquela juventude, como por setores fascistas, tipos provocadores que desde aquele momento por mim citado anteriormente, na década de 1980, já se infiltravam em nosso meio. Policiais ou não. Por motivos diferentes esses setores objetivam criar os confrontos para gerar desgaste nos governos, de tal forma que os possam debilitar. O uso da violência, no caso, como mecanismo de se contrapor à repressão policial assume um verniz diferente nos dois casos, mas o resultado é desastroso de qualquer jeito. Principalmente quando o personagem culpado desse tipo de ato não é um indivíduo vinculado às forças repressoras, porventura infiltrado. O que dá margem para a mídia conservadora enfatizar no seu discurso de um ambiente dominado pela insegurança e anarquia.
Não tenham dúvidas de que o principal discurso nas próximas campanhas eleitorais será esse. Dominados pelo medo, que cotidianamente entra em suas casas pelos canais de TV, ou pela própria realidade que as cercam, as pessoas tendem a sucumbir à repetição constante desse discurso, e corremos o risco de ver a eleição de um parlamento muito mais conservador do que o atual.
Esse poderá ser o resultado de atos inconsequentes e irresponsáveis, movidos por um voluntarismo tolo, e a demonstração de atos de estupidez como se fossem atitudes libertárias e revolucionárias. Em um novo tipo de ludismo pós-moderno que está mais para os atos de cegueira atestado por José Saramago.
As máscaras que assumem as frentes dessas manifestações escondem jovens desprovidos de capacidade política para entender os mecanismos que movem a sociedade. Ou meros provocadores desejosos de reeditar aqui no Brasil os mesmos gestos fascistas de 50 anos atrás, quando um golpe militar foi dado com o argumento de por fim à baderna, à desordem e a comunização do país.

Como diz um velho ditado popular: “juízo e caldo de galinha, não fazem mal a ninguém”.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

OS LOBOS DO CAPITALISMO FINANCEIRO

Sempre que me debruço sobre o teclado para escrever sobre algum filme, de imediato me vem à lembrança a trilogia de Matrix. Isso porque esse filme nos consegue levar a reflexões filosóficas sobre a realidade que vivemos, e aquela que construímos em nossos ideais. A que desejamos. Mas essa lembrança tem também a ver com o que quero dizer do filme que agora passo a analisar, “O Lobo de Wall Street”.
Eu digo, após pensar e procurar rememorar a lista de filmes que vi nos últimos anos, que este é um dos melhores que já assisti. Muito embora, e tenho convicção disso, alguns, e não são poucos, dirão que estou exagerando, e até mesmo divergirão radicalmente da minha opinião. Acho natural, tudo é uma questão de paradigma, da maneira como você vê o mundo, e de como nossos hábitos nos conduzem a escolhas bastante diversificadas. Tem até quem goste de Justin Bieber (!?). Ou os que acompanham em pay-per-view as aventuras dos(as) enjaulados(as) do BBB, cada vez mais escolhidos entre corpos “sarados” que tem por objetivo mexer com a libido e provocar os desejos sexuais de seus participantes.
Ora, mas minha referência a esse programa não destoa do que o filme de Martin Scorcese apresenta. Ganância, sexo, dinheiro, poder e drogas. Uma mistura que compõe o universo no qual os protagonistas se envolvem, e que reflete a realidade de um sistema que mergulha cada vez mais na podridão de seus valores. Ou, melhor dizendo, os universos, já que são vários mundos reais ou virtuais que definem o sistema capitalista.
Não é uma ficção. Naturalmente há um roteiro que procura em alguns momentos fazer prender o telespectador, e, portanto, exagera em alguns aspectos. Muito embora possamos dizer que a realidade é bem mais perversa, sempre, do que muitas ficções.
Em relação ao conteúdo, para mim não houve surpresas. Saí do filme com a nítida sensação de já ter visto algo semelhante. E ví. O filme de Oliver Stone, “Wall Street: Poder e Cobiça”, produzido nos anos 1980 (mesma época em que se inicia a história do filme de Scorcese) e com uma sequência que estreou às telas de cinema em 2010, retratando a crise econômica mundial que estourou em 2008. Seguramente Stone se apropriou da história de Jordan Berfort, personagem real do mundo financeiro que inspirou esses dois dos melhores diretores dos EUA. Há no filme de Scorcese, inclusive, uma citação ao mega-especulador Gordon Gekko, principal protagonista do filme de Stone.
Orgia, luxúria e ganância. Ingredientes
presentes em "Wall Street".
Mas não há surpresas em serem histórias parecidas, mesmo que a inspiração não seja a mesma. Simplesmente porque elas tratam da realidade do que acontece no mundo real do capitalismo financeiro. Expõem com toda crueza os mecanismos de funcionamento das estruturas do sistema, suas vísceras, os canais intestinais por onde transitam os excrementos que seduzem e transformam indivíduos, e os elevam à condição de “vitoriosos”, lobos, ou raposas, que transformam dinheiro virtual em riqueza material, cuja ambição cega não enxerga limites na busca interminável por mais dinheiro. Quanto mais se ganha, mais se deseja, assim como o poder. Por isso eles estão juntos, e trazem consigo de tempos bem remotos, já demonstrados na decadente sociedade romana escravocrata e concentracionista, o desejo pelo sexo e a necessidade de se fugir para outra realidade. Por isso, orgias e drogas se misturam num exibicionismo quase sempre criminoso.
Mas o crime não é somente em função desses “divertimentos”. Ele acompanha toda a trajetória daqueles que enriquecem à revelia do processo produtivo, investindo em negócios de fachadas, bombados pelas estratégias maquiavélicas de expertises, que vendem ações de empresas inexistentes, ou criadas virtualmente para iludir incautos gananciosos, sempre dispostos a verem seus dividendos se multiplicarem sem que se produzam nada.
Ganâncias de uns, usuras de outros.  As fraudes são consequências dessas misturas. E o que se vê nessas histórias, transformadas em filmes, mas contadas por personagens reais, é a realidade insofismável, embora contraditoriamente a maioria das pessoas desconheça, ou são iludidas de que são meras ficções, de que o setor do capitalismo onde mais circula dinheiro é onde se concentram as maiores atividades criminosas do sistema.
“Siga o dinheiro”. Essa frase ficou famosa, depois do igualmente famoso caso “Watergate”. Ela teria sido pronunciada pelo personagem “Garganta Profunda”, o elemento anônimo que denunciou o esquema de espionagem que levou à renúncia do ex-presidente dos EUA, Richard Nixon, em um dos maiores escândalos da história política daquele país.
Ele se aplica a qualquer situação de suspeitas de enriquecimentos ilícitos. Muito embora, para mim, todos os grandes enriquecimentos se deem ilicitamente. O filme “O lobo de Wall Street”, baseado, portanto, na história de Jordan Berfort, contada por ele mesmo, traça didaticamente os caminhos percorridos pelas grandes fortunas, que fogem de seus países de origem e encontram guarida nos famosos paraísos fiscais. A Suíça, então tida como o maior desses “esconderijos”, é o exemplo mostrado. Mas sabemos que atualmente são vários os “paraísos”, onde se lavam dinheiro do crime organizado, da corrupção, das drogas, das especulações financeiras. Inclusive o Vaticano, envolto em um escândalo que demonstra o quanto as instituições bancárias de todo o mundo estão envolvidas na lavagem de dinheiro ganho de forma ilícita, criminosa e à custa de uma realidade que demonstra que apenas 1% da população mundial concentra uma riqueza maior do que possui mais de 50% das pessoas que vivem no planeta de 7 bilhões de habitantes. A maior parte vivendo abaixo da linha da pobreza.
O “Lobo de Wall Street”, brilhantemente representado por Leonardo DiCaprio, numa atuação espetacular, é apenas um dentre muitos que fazem brotar dinheiro do nada, sem nenhum tipo de investimento produtivo. O mecanismo é a fraude, a ilusão de ser possível ganhar dinheiro fácil, o marketing que produz mitos do enriquecimento banal e a ganância, como principal peça motora do sistema capitalista.
Cena em que uma jovem se prepara
para transportar dólares para a Suíça
Ao final do filme, o personagem saído da cadeia onde passou apenas três anos, sabiamente aproveitado corrompendo seus carcereiros, passou a se dedicar a realizar palestras a ávidos “filhotes de lobos”, jovens fracassados ou desempregados, insatisfeitos e frustrados, desejosos de enriquecerem, todos eles, mediante os mecanismos fraudulentos possibilitados pelo sistema capitalista. Mesmo fim do especulador Gekko, do filme de Stone. Embora este tenha uma continuidade e portanto um novo começo, a partir da crise de 2008.
Ora, mas deixei para o final a pergunta mais interessante. Esses “lobos” atuam somente retirando dinheiro do pequeno e médio investidor? Daqueles que desejam ver multiplicado seu dinheiro poupado? Claro que não. Tão logo despontem como espertos corretores, conhecidos por fazerem surgir dinheiro do “nada”, e de vender espertamente ações de fúteis empresas, eles são contratados por megainvestidores que os transformam em peças chaves na reprodução de suas riquezas, adquiridas a partir de estratégias que falseiam a realidade e fazem valer muito além do que é real, os valores das ações de suas corporações ou de suas marcas.
Sobrevivem nessa selva, os mais espertos. Jordan sucumbiu por tentar burlar um sistema, por natureza, fraudulento. Operava à margem da “legalidade” de Wall Street. E a demonstrar claramente que pouco se importava com o dinheiro alheio, tido para ele como virtual, e a extrair ao final da burla o que ele entendia como dinheiro real, materializado e transformado na aquisição de bens, na luxúria e na permanente condição de dependente das drogas. A maior delas, isso ele também não escondia, o dinheiro. Elementos que estão sempre presentes, e que fazem com que fique bem demonstrado (para quem quiser ver, naturalmente), que todas as atividades ilícitas e criminosas se encontram na encruzilhada entre o poder e a riqueza. Para encontrar as fraudes, os grandes criminosos, onde se encontram os verdadeiros bandidos que controlam a riqueza do mundo, basta seguir o dinheiro. Lobos, raposas e leões estarão lá, se enfrentando para ver quem possui a melhor característica vencedora: a força ou a esperteza. Mas com certeza, mediante alguma ilicitude. Ou, trocando em miúdos: alguma ação criminosa.
Scorcese dirige DiCaprio e Margot
Robbie, em uma das cenas mais
provocantes do filme
Sugiro que assistam ao filme “O Lobo de Wall Streeet”. Mas os puritanos, os ingênuos, devem ir preparados. Não verão cenas de lutas corporais, sangues jorrando pelos olhos, fantasias que nos prendem nas poltronas. Não. Verão cenas fortes, drogas, sexo, palavrões, banditismo explícito, tudo aquilo que expõe um de nossos mundos. O mundo real do capitalismo financeiro. Depois disso poderão ver que queimar fusquinha, depredar agências bancárias ou sair mascarado nas ruas, sequer arranha... na verdade é um leve sopro, nas estruturas que compõem o sistema financeiro e o poder do dinheiro, concentrado nas mãos de megaespeculadores, banqueiros e das grandes corporações. Aliás, só fortalece um dos elos dessa cadeia, o das grandes seguradoras, porque incentiva a indústria do medo. Paradoxalmente, porque é assim no capitalismo, por trás delas encontram-se as grandes corporações bancárias. Elas estão habituadas a se enriquecerem mais ainda a cada desgraça, às guerras nas quais elas próprias investem para ter os países sobre controle, e até mesmo a tsunamis. Que dirá à ação de um pé de cabra!
Como vencê-los? Não sei. Só sei que não é assim.
Mas continuo acreditando que “um outro mundo é possível”. Para além do capitalismo.

PS: Em 2010 fiz um minicurso na UFG, no Instituto de Estudos Socioambientais (IESA), onde sou professor, chamado “Decifrando o Sistema Capitalista: Crises econômicas e o poder das grandes corporações financeiras”. Como parte da metodologia utilizei a exibição de documentários e filmes, produzidos como consequência da crise de 2008. À exceção de “Wall Street – Poder e Cobiça (1). Mas ao final do curso assistimos e debatemos sua continuação, “Wall Street, o dinheiro nunca dorme”, no Cine Lumiére, por época do seu lançamento. Depois disso outros filmes trataram do assunto. O ganhador do Oscar em 2010, como melhor documentário, “Trabalho Interno”; “Grande demais para quebrar”; e, um filme que mostra os bastidores da decisão que garantiu que o tesouro estadunidense investisse bilhões de dólares em instituições quase falidas, para salvar o sistema financeiro mundial, “Margin Call – O dia antes do fim”. Agora em 2013, com o acréscimo de alguns desses filmes, darei continuidade a esse curso, provavelmente no mês de abril. Um bom momento para conhecermos os “lobos de wall street” e também da Avenida Paulista.

SINOPSE E FICHA TÉCNICA DO FILME: O LOBO DE WALL STREET
Não recomendado para menores de 18 anos 
Durante seis meses, Jordan Belfort (Leonardo DiCaprio) trabalhou duro em uma corretora de Wall Street, seguindo os ensinamentos de seu mentor Mark Hanna (Matthew McConaughey). Quando finalmente consegue ser contratado como corretor da firma, acontece o Black Monday, que faz com que as bolsas de vários países caiam repentinamente. Sem emprego e bastante ambicioso, ele acaba trabalhando para uma empresa de fundo de quintal que lida com papéis de baixo valor, que não estão na bolsa de valores. É lá que Belfort tem a ideia de montar uma empresa focada neste tipo de negócio, cujas vendas são de valores mais baixos mas, em compensação, o retorno para o corretor é bem mais vantajoso. Ao lado de Donnie (Jonah Hill) e outros amigos dos velhos tempos, ele cria a Stratton Oakmont, uma empresa que faz com que todos enriqueçam rapidamente e, também, levem uma vida dedicada ao prazer.
Título original: The Wolf of Wall Street
Ano de produção: 2013
Dirigido por: Martin Scorsese
Gênero: Biografia , Drama , Policial
Nacionalidade: EUA

(http://www.adorocinema.com/filmes/filme-127524/)