terça-feira, 13 de julho de 2010

SPY x SPY

Uma semana cheia, em função da correria para finalizar avaliações e lançar notas no sistema da UFG, criou dificuldades para atualização dos artigos que tenho postado neste blog.

Justo em uma semana quando o final da Copa trouxe de volta às manchetes escândalos, tragédias, crimes e, o começo oficial do processo eleitoral. Portanto assunto é o que não falta para polemizarmos, seguindo a linha que nos propusemos, de olhar além do discurso.

Mas outro assunto além dos que aqui listei, me chamou também a atenção. Pois me pareceu uma bem preparada encenação.

Para quem observa de forma criteriosa o tabuleiro de xadrez da política internacional não é novidade que a espionagem continua à solta. No entanto, a descoberta de uma rede de espionagem nos Estados Unidos e a pronta prisão de treze pessoas envolvidas, sob a acusação de buscarem informações para repassá-las à Rússia, pareceu mais uma comédia do que um roteiro do tipo “missão impossível”.

Não que não se deva levar a sério o fato, mas pela rapidez com que a diplomacia dos dois países buscou um acordo que possibilitou a troca dos espiões russos presos nos EUA, com outros que já estavam presos na Rússia, a serviço dos Estados Unidos, demonstra que tudo não passou de uma “trama” para justificar essa negociação.

Principalmente pelo fato dos dois presidentes terem se encontrado na Rússia, cerca de três dias antes da operação realizada, que levou às prisões. O encontro, inclusive, teve momentos de descontração entre os dois em uma lanchonete, enquanto comiam chessburgers. Segundo relatos da mídia, eles teriam se divertido fazendo ironias ao famoso “telefone vermelho”, e propondo a substituição pelo twitter.

Esse encontro, a piadinha - mais fria do que a guerra entre os dois que nunca aconteceu -, a rapidez com que a rede de espionagem foi desmontada e a célere troca de espiões(*), sugere que um acordo foi firmado para garantir a devolução dos agentes presos na Rússia. Ou seja, os espiões russos que estavam a trabalho nos EUA tornaram-se bodes expiatórios para a concretização da devolução dos 007 estadunidenses.

Se como dizia Carl Von Clausewitz, a guerra é somente a continuidade da política, percebe-se que a diplomacia entre os dois países estão bastante afinadas, a ponto de sacrificar seus próprios espiões. Resta saber o que está por trás de tudo isso.


(*) Sobre a troca dos espiões acessem: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2010/07/100709_espioes_russia_sexta_tp.shtml

(Charge acima retirada de: http://4.bp.blogspot.com/_9I6nqYuWqmA/SHygVRXQriI/AAAAAAAAC8A/j7-ONdZNrfk/s1600-h/spys_800x600.jpg)

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