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quarta-feira, 1 de maio de 2024

DOCENTES DA UFG EM GREVE POR TEMPO INDETERMINADO

Quero me dirigir por meio deste artigo em meu Blog Gramática do Mundo, especialmente aos docentes da UFG, professoras e professores, tanto aos que participaram do plebiscito que definiu pela greve por tempo indeterminado, quanto aos que não participaram por alguma razão.

Após comunicado que será feito à reitoria, obedecendo os trâmites jurícos que são exigidos, a data marcada para o início da greve é dia 07 de maio.

Temos na UFG 2.124 docentes em atividade. Destes 1.575 são filiados ao Adufg-Sindicato, além de 800 aposentados. O resultado do plebiscito indica a ausência de 873 colegas que não opinaram sobre a greve. Trocando em miúdos o percentual dos que votaram a favor da greve é 29,47%.

Mas, do ponto de vista legal, estatutário e democraticamente legítimo, o que importa é o quantitativo de 50%+1, dos votantes, que definiu o resultado do plebiscito, além de considerarmos uma participação significativa para os padrões do movimento em nível nacional. É nisso que pelo aspecto legal temos que nos mirar e focar a luta. Muito embora essa matemática do número de votantes seja importante, porque nos indica a necessidade de dialogarmos ainda com colegas que não votaram, porque, naturalmente, devem obedecer à decisão democrática, não importando o resultado, diferença ou não votantes. Além de também nos indicar o caminho pelo qual devemos seguir, estrategicamente, na condução do movimento, atentando para algumas diferenças em relação ao modelo de organização que tínhamos anteriormente.

Agora o ADUFG é um Sindicato, com abrangência para todo o Estado de Goiás, incluindo aí além da Universidade Federal de Goiás, a Universidade Federal de Jataí e a Universidade Federal de Catalão, que pelo que rege nosso estatuto têm a autonomia para decidirem se entram, ou não em greve. No caso do plebiscito ao qual me refiro e aos encaminhamentos que devemos fazer, diz respeito à UFG.

Mas o que nos diferencia hoje, da forma como lidamos com greves no passado? Exatamente o fato de sermos um Sindicato local, e, portanto, não estamos vinculados a um “sindicato nacional”. Até porque, nossa vinculação estatutária é ao PROIFES- Federação. E isso diz muito sobre a forma como será conduzido o nosso movimento grevista. Para além do que esperneia setores de oposição, o que faz parte da democracia.

Mas a diretoria do Adufg-Sindicato não irá abrir mão da condução da greve, e muito menos da definição quanto às formas de encaminhamentos das questões diretamente ligadas ao movimento. Afinal, foi para isso que fomos eleitos, e estamos atentos e refratários a qualquer tentativa golpista de usurpar nossos comandos. Seguiremos conduzindo as ações de conformidade com nossa prática política, aprovada pela maioria dos sindicalizados, professoras e professores, que elegeram nossa diretoria. 

Outro fator nos diferencia de momentos passados. Estamos hoje vinculados a uma Federação, o Proifes, e não mais ao Andes, pelo simples fato que somos tão sindicato quanto aquele que se diz “nacional” embora não seja. Portanto, pela própria organização nossa, não teremos “Comando de Greve Local”, visto que as ações aqui na UFG serão organizadas e dirigidas pela diretoria do Adufg-Sindicato. Da mesma forma, não enviaremos representante a nenhum “Comando Nacional de Greve”, visto que a forma de organização da Federação é diferenciada. Mas teremos, sim, por indicação da diretoria, representação nossa em Brasília, além dos diretores da Adufg que já fazem parte do Conselho de Representantes, outras pessoas que possam contribuir nos encaminhamentos necessários junto ao PROIFES e aos demais sindicatos que fazem parte da Federação, alguns dos quais em universidades que também definiram por entrar em greve.

É importante salientar que não paramos as negociações. Por meio do Proifes-Federação foi encaminhado na terça-feira (31/04), um ofício ao Ministério de Gestão (MGI), uma nova proposta, que avança em relação ao que o governo apresentou, com indicação de um percentual de reajuste em 2024, e modificação também para os anos seguintes. Isso pode ser verificado por meio do site do Proifes Federação, acessando link: https://proifes.org.br/proifes-entrega-ao-governo-nova-contraproposta-de-reajuste-e-reestruturacao-de-carreira-do-magisterio-superior-e-ebtt/.

Assim, refirmamos nossa prática democrática de negociar, e garantiremos nossa paralização, conforme decisão da categoria por meio da maioria dos votantes no plebiscito, e seguiremos firmes na luta, de conformidade com o que nos foi delegado pelo conjunto das professoras e professores da UFG, entre os que estão em atividades e os que já se aposentaram, e que mantém suas filiações ao Adufg-Sindicato. Tão logo recebamos resposta do governo, por meio da mesa de negociação, chamaremos imediatamente a Assembleia Geral, para definir sobre a aceitação ou não da proposta, e, naturalmente, continuidade ou não da greve.

A LUTA CONTINUA!!


segunda-feira, 7 de novembro de 2016

MAIS UMA VEZ A GREVE. EXISTIRÃO OUTRAS ALTERNATIVAS? A UNIVERSIDADE E A LUTA CONTRA A PEC 241/55

Estamos vivendo momentos tensos, de definições políticas e de decisões tomadas por um governo que assumiu o poder por meio de manobras constitucionais. Essa condição faz com que as medidas implementadas não tenham sido submetidas ao crivo da aprovação popular. Nessas circunstâncias, as reformas propostas não objetivam agradar a maioria da população brasileira, mas dar respostas àqueles setores que controlam a riqueza do país, os meios de produção e, por conseguinte, influenciam nas decisões tomadas por parlamentares que foram eleitos sendo financiados por esses segmentos.
As propostas apresentadas pelo governo de Michel Temer, visam corrigir os problemas da crise brasileira com medidas que afetam setores que são cruciais para o desenvolvimento nacional e social do nosso país. Em especial, a saúde, educação, investimentos em programas sociais, questões ambientais e da defesa de nosso território. A partir de um projeto de emenda constitucional, transitada na Câmara dos Deputados sob o número 241, e agora no Senado identificada como PEC-55, esse governo deixa bem claro para que veio, e as razões de impor o impedimento a uma presidenta legitimamente eleita.
O controle dos gastos, feito de forma indistinta, como se estivesse gerenciando uma empresa, demonstra o grau de insensibilidade com setores que são estrategicamente importantes para o nosso crescimento enquanto Nação. Por outro lado, demonstra o quanto está sendo feito para agradar o setor empresarial, principalmente por abrir o Estado, mais do que já está ocorrendo, para a atuação de empresas privadas, terceirizando uma quantidade cada vez maior de atividades aos interesses da ganância privatista.
Esses pressupostos, acrescentando-se o fato de atingir de forma crucial a educação, tem gerado uma onda de revoltas que fez os segmentos que atuam diretamente nessa área, ou que são beneficiários dela, se mobilizarem para combater tais medidas. Como sempre, a juventude tem demonstrado não ter perdido seu espírito de rebeldia, e radicalizaram a luta, entendendo que há uma força coesa no parlamento, dominado pelos conservadores, que garantem o apoio à essas reformas, como um rolo compressor, em troca de benesses, cargos e apoio às suas reeleições. As ocupações de escolas, institutos tecnológicos e faculdades, tomaram uma proporção que não era esperada pelo governo, e tende a se ampliar, muito embora o cerco efetuado pelo ministério público e justiça federal estejam atuando para por fim a essas ocupações.
Por outro lado, os servidores técnico-administrativos já deflagraram em âmbito nacional, um movimento grevista, paralisando por tempo indeterminado suas atividades, e somando-se às lutas de outros setores da sociedade, também pressionam para conter a sangria que está sendo feita nos direitos trabalhistas e sociais.
São movimentos que guardam suas especificidades e lidam com as formas de lutas que lhes são mais adequadas e possíveis de serem levadas adiante de acordo com suas próprias características. Ressalto como importante a intensidade da luta estudantil, pelo vigor que ela possui e pelo receio que todos os governos sentem de ter que encarar grandes mobilizações da juventude nas ruas. Essa juventude carrega a esperança de poder ampliar as reações a medidas que são nocivas à maioria da população brasileira.
Como resposta ao movimento grevista dos técnicos, e os que também já foram aprovados por professores em diversas universidades e institutos federais, o Supremo Tribunal Federal cumpre o papel de guardião das reformas conservadoras em curso. Decidir pelo direito que os governos tem, de imediato solicitar o corte dos pontos dos grevistas, sinaliza, na prática, pelo impedimento dos servidores públicos poderem decidir livremente um direito que historicamente sempre foi crucial nas lutas dos trabalhadores, do Brasil e do mundo, de deflagrar greves quando julgarem que suas reivindicações não encontram canais de negociações, e, de forma impositiva estabelecem-se mudanças que lhes serão prejudiciais.
O direito de greve dos servidores públicos é legitimado pela Constituição brasileira, e somente não foi regulamentado em alguns aspectos porque foge do interesse de uma maioria conservadora, que protela discussões que são do interesse dos trabalhadores. No entanto, concordemos ou não, isso impõe aos professores a necessidade de a deflagração de uma greve ter que contar com o apoio da ampla maioria dos professores, caso contrário será um movimento de apenas uma parcela, somente sendo possível parar em sua totalidade por meio de formas coercitivas e impedimento de acesso á universidade. O que imporia uma realidade de confronto entre nós mesmos.
Mas, em que pese esses questionamentos, e a tentativa de cercear o direito de greve, é preciso analisar se entre os professores universitários, esse instrumento se faz necessário neste momento, e até que ponto ele não dificulta ainda mais as possibilidades de mantermos a universidade em movimento, em condições de debater e discutir as questões postas que irão nos afetar diretamente pelos próximos anos. Aliás, pelos longos vinte anos que estabelece a famigerada PEC.
Como eu disse anteriormente, a greve é um instrumento de pressão que tem por intuito forçar a abertura de diálogo e de negociação, a fim de termos nossas demandas atendidas. Mas, contra quem estamos lutando neste momento? Não se trata de reivindicações pontuais, salariais ou diretamente relacionadas à nossa categoria, especificamente. Essas medidas afetam um leque de setores muito amplos e estão sedimentadas pela formação de uma ampla maioria constituída a partir do golpe parlamentar-judiciário que destituiu a presidenta Dilma. Portanto, não temos interlocutores a nos atender em um movimento grevista, que foge das características tradicionais, quais sejam, a luta contra o arrocho salarial e em defesa de melhorias em nossas carreiras, a partir de pautas de reivindicações construídas com esse objetivo. Assim, a greve deixa de ter um foco específico, e passa a acontecer em cima de reivindicações gerais, que extrapolam a nossa própria categoria e até mesmo os limites da comunidade universitária e da educação. As reformas em curso são bem mais abrangentes, e além de nos atingir afetam milhões de brasileiros por diversos setores em que atuam ou que por algum programa é beneficiado.
Assim, problematizo a questão: qual o objetivo da greve? O que seria possível fazer para combater as reformas do governo Temer, neste momento inseridas na PEC-55, num movimento grevista, que não seja possível de fazer com a universidade aberta e apta a discutir essas e outras questões que se tornarão cruciais para nós nos próximos anos? Valerá a pena diante dessas circunstâncias parar a universidade, e vermos a maioria de nossos colegas distantes de um ambiente que deveria ser instigado a debater com mais frequência esses e outros problemas que nos cercam? Não somente a nós, comunidade universitária, mas a toda a sociedade?
Técnicos-administrativos da UFG
decidem pela greve
Não estou querendo questionar o movimento dos técnicos-administrativos, que possuem outras demandas e tem características distintas dos professores e, principalmente, porque eles não tiveram cumpridos acordos firmados em paralisações recentes. A greve dos técnicos afeta sobremaneira a universidade, as atividades que eles desenvolvem são cruciais para um bom desempenho da instituição, mas efetivamente não leva a um esvaziamento do nosso espaço, e nos força até mesmo a ter a compreensão de suas importâncias em nosso cotidiano.
Mas uma greve de professores, como tem sido nos últimos movimentos grevistas, esvazia a universidade, não atrai os professores para as atividades desenvolvidas e não causam repercussão na sociedade. Muito menos irá sensibilizar um governo que tem no questionamento ao ensino público um de seus objetivos já definidos. E, afinal, até onde o movimento iria? Seria uma greve por tempo indeterminado ou tendo em vista a votação da PEC no Senado? Se porventura houver aprovação dessa proposta (algo previsível, pela ampla maioria que o governo tem no Congresso) como o movimento encararia essa questão? Sabendo-se que mais adiante virão outras medidas que irão nos afetar mais uma vez, e sempre. Deflagraremos uma greve a cada proposta de reforma apresentada pelo governo? Isso significa a mais pura banalização da greve, sem objetivo específico, por meio de combates a medidas amplas e que nos levará ao enfraquecimento do movimento, a uma divisão entre os professores e a uma situação de instabilidade em nossa instituição, o que provocará mais ainda o seu enfraquecimento.
Erguer a bandeira da greve neste momento não significa, necessariamente, a mais revolucionária das posições a ser adotada. Mesmo que consideremos que setores conservadores, existentes na universidade, posicionam-se sempre contra essas paralisações. Mas há de se considerar também, que muitos que não aceitam sob hipótese alguma, a PEC-55, também não consideram a greve o instrumento adequado a este momento. Eu me incluo nesse segmento.
Na década de 1980 foi criado o Fórum
em defesa da UFG. Na foto o reitor
Joel Ulhoa dirige assembléia
Para além dos possíveis maniqueísmos que se queiram criar, não é possível encarar essa situação como numa escolha entre o oito e o oitenta. É possível construir mecanismos internos à nossa instituição para levarmos de forma aprofundada a discussão sobre as consequências que essas medidas trarão. Mas também construirmos outra agenda, não só interna, mas que possa levar para a sociedade essa discussão, por meio de associações, entidades representativas dos diversos segmentos públicos ou privados, e a necessidade de criarmos um movimento a partir da universidade, como já o fizemos em outros momentos de crises, quando criamos os Fóruns em Defesa da Universidade Pública, Gratuita e de Qualidade.
Os movimentos em curso, cada qual com suas características e formas de lutas, podem ser incorporados em uma iniciativa que envolva os sindicatos e entidades, para construir uma agenda permanente de debates, discussões e formas de organização para barrarmos a sequencia de medidas restritivas á educação superior pública que virão pela frente. Também não pode se esconder dessa luta e responsabilidade, a reitoria e seus órgãos complementares. É preciso que haja coragem de se bater de frente com atitudes que ferem a autonomia da universidade e que visam cercear nossa liberdade de ação, de movimento e de discussão. O dirigente da universidade, assim como os das demais entidades que representam as nossas categorias, devem se postar de forma corajosa à frente dessas atividades e demonstrar cabalmente sua postura em defesa da nossa instituição, das nossas condições de trabalhos, na garantia de recursos suficientes para que o ensino e a pesquisa prossigam com qualidade, sem redução dos quantitativos financeiros que são necessários a esse bom desempenho.
Por essa razão, imagino que a deflagração de uma greve manterá somente um pequeno número de pessoas envolvidas, como tradicionalmente acontece, enquanto as demais se limitam a definir a data em que irá retornar a assembleia para votar pelo fim da greve. Isso esvazia nossa universidade e não cumpre o objetivo de garantir que haja uma mudança de comportamento internamente, que nos leve a um interesse maior para as questões que vão além do nosso laboratório de pesquisa, de nossa sala de aula, ou da burocracia que nos amarra.
Neste momento, a comunidade universitária deve ser chamada à responsabilidade de defender o que foi conquistado com muito esforço nos últimos anos. E, se porventura, existir (e existe) quem queira defender as medidas restritivas do governo federal, que esses colegas possam se manifestar e vir abertamente para o debate, se posicionar com seus argumentos. Duvido que tenham condições de negar que tais medidas irão afetar perversamente nossas instituições, afinal, se as estatísticas são manipuláveis, os números não mentem. E as ideias que estão por trás das medidas construídas na elaboração dessa PEC, nitidamente demonstram um caráter de perversão sobre a necessidade de o Estado brasileiro assegurar o ensino público, gratuito e de qualidade.
Professores da UFG aprovam paralisação
nos dias 11 e 25 de novembro contra a
PEC 241/55 e FORA TEMER!
Ademais, conforme já aprovado em assembleia, devemos paralisar nossas atividades nos dias 11 e 25 de novembro, aderindo a uma greve geral nacional nessas datas, como forma de repúdio às medidas impostas pela PEC 55. Isso já é um passo importante para demonstrarmos a nossa indignação e de que não estamos parados diante desse quadro político.
Isso não contrapõe às lutas travadas pelos estudantes, que seguem suas dinâmicas próprias. Mesmo com as ocupações, ou com outras formas de manifestações, o movimento estudantil tem outro perfil. E, quanto mais formas alternativas de se contrapor a medidas indesejáveis, por parte dos estudantes, mas isso servirá para atrair a atenção para as suas demandas. Além do mais, a vida em si, da universidade, depende dos estudantes. São eles que tornam a universidade diversa, inquieta e provocativa. Se os estudantes portam-se passivamente, a universidade perde em essência, acomoda-se e tem como foco somente a formação para o mercado. Por isso, as questões que aqui coloco, não estão relacionadas aos movimentos dos estudantes, e, entendo que porquanto durar suas ocupações, muito embora isso traga como consequência uma reação jurídico-policial, devemos vê-las com respeito, sem confrontá-los, muito ao contrário, contribuindo com o que for necessário para que, mais do que ocupações, isso signifique espaços de diálogos, de defesa de uma universidade crítica e de formação de jovens que olhem para frente enxergando muito mais do que tão somente sua formação profissional, mas também como cidadãos engajados e dispostos a lutarem por transformações sociais mais justas e menos desiguais. Com isso ganha não somente a universidade, mas sociedade como um todo.
Assembléia dos estudantes (FH) decidem
por ocupação. Mas as ocupações não
acontecem em todas unidades
Mas, qualquer que seja a decisão a ser tomada, nenhuma atitude pode implicar em causar prejuízo aos estudantes, notadamente àqueles que estão à frente do movimento de ocupações. Não cabe aos professores estabelecerem uma situação de animosidade nessas situações. Da mesma forma que não devemos adotar uma atitude policialesca de identificar de forma pejorativa qualquer um que apresente opinião contrária, a fim de não criarmos um clima de beligerância entre nós, comunidade universitária. Afinal, como dizia o Cazuza em uma de suas músicas, e que serve nessas circunstâncias que envolvem nossa universidade, “meus inimigos estão no Poder”.

Se a assembleia que ocorrerá no próximo dia 09/11, no entanto, aprovar greve, devemos fazer todos os esforços possíveis para unificar a nossa categoria e desenvolver atividades em conjunto com os demais setores. É essencial que as decisões da maioria sejam respeitadas, e por isso se faz necessário uma grande presença, sempre, nessas assembleias. Devemos criar um ambiente de debate e mobilização permanente, pois o que virá para além dessa PEC tende a prejudicar sobremaneira as universidades e institutos federais de ensino e tecnológicos. Saber fazer isso, de forma a ampliar pelo convencimento as nossas forças, será essencial para garantirmos os recursos que são necessários ao bom funcionamento da universidade, a melhoria de nossos salários e a defesa da autonomia universitária.
CALENDÁRIO:
DIA 07/11 - 14 horas - Assembléia Universitária no Centro de Eventos da UFG
DIA 09/11 - 14 horas - Assembléia Geral dos Professores para decidir sobre a greve geral - Centro de Eventos da UFG
DIA 11/11 - Greve geral nacional. Ato na praça dos Bandeirantes às 9 horas
DIA 25/11 - Greve geral nacional. 

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

A GREVE... O ANDAR DA CARRUAGEM... E O PRECIPÍCIO!

“É salutar e estrategicamente importante, mantermos o movimento coeso, centrado nessas duas reivindicações (o reajuste e o repasse de verbas para a universidade), até que sejam encerradas as negociações, que provavelmente ocorrerá até 31 de agosto. Feito isso, podemos aí, em Assembleia, ou/e por meio de consulta eletrônica (já que é um instrumento estatutário de nosso sindicato), a fim de ampliar a participação dos docentes, dizer se aceitamos ou não a proposta final, e, em seguida, decidirmos pelo fim, ou não, do movimento grevista”.
Com essas palavras, um chamamento à racionalidade do movimento em função de posições radicalmente antagônicas, encerrei meu artigo, publicado no Blog Gramática do Mundo na última semana de agosto (http://www.gramaticadomundo.blogspot.com.br/2015/08/a-greve-na-ufg-e-o-andar-da-carruagem.html).
Nele eu teci críticas ao comportamento adotado por aqueles que não desejavam greve, e ansiavam por rapidamente botar fim ao movimento; e pelos que desejam greve ad infinitum, sem preocupação com o tempo que o movimento perdurará, o que alguns chamam de “greve até o fim do mundo”.
Não pretendo, absolutamente, adotar um comportamento arrogante. Não me coloco como senhor da verdade, até porque não acredito em verdades absolutas. Mas, me exponho sempre, e assim me caracterizei desde que criei este blog, apresentando minha opinião para debate, com analises que considero, naturalmente, as mais corretas dentro de uma determinada realidade. Procuro sempre ser coerente entre atos e opiniões. Por isso, e pelo que aconteceu entre a data que publiquei o texto citado e esta última semana, é que decidi complementar aquele artigo, com a análise que se segue.
SOBRE O QUE É SER RESPONSÁVEL NUMA GREVE
Nossa última assembleia se iniciou com intervenções questionando a responsabilidade na deflagração da greve. Particularmente me vi criticado, uma vez que defendi nas primeiras assembleias a necessidade de entrarmos em greve, como resposta aos cortes de verbas nas universidades, bem como para mostrarmos nossa insatisfação com a proposta de fatiamento de nosso reajuste por longos quatro anos, em um momento de grave crise fiscal, política e econômica.
Com a perspectiva de as negociações se encerrarem no dia 31 de agosto, prazo definido nas mesas de negociações entre federações, sindicatos e o Ministério de Planejamento, Orçamento e Gestão, naturalmente a greve se colocava, sim, como um instrumento radical de pressão, já que nossa categoria é incapaz de se movimentar de outras maneiras. Vivemos na Universidade as rotinas de nossos espaços restritos, nos laboratórios aos quais estamos ligados, sobre nossas pesquisas ou dos aspectos relativos àquilo que diz respeito particularmente a cada um. O questionamento sobre a realidade que nos cerca e que nos envolve cada vez mais, na medida em que tudo se conecta, constitui-se tão somente em um bate-papo de corredores ou nos intervalos de almoço. Não se debate com profundidade os problemas da Universidade. Há uma aceitação passiva das decisões administrativas e das políticas adotadas pelo governo. Sequer as conhecemos em profundidade. Deixamos isso a cargo dos nossos representantes nos conselhos universitários, mas pouco lemos a respeito do que se decide. Ou seja, nosso futuro na universidade pouco importa, a não ser quando aperta no bolso.
Essas questões, e a normalidade que nos cerca e da qual nos habituamos, já me motivaram a escrever alguns artigos em meu Blog. Entendi que a paralisação, de uma maneira ou de outra deveria servir não somente para pressionar o governo às vésperas de finalizar as negociações sobre nosso reajuste, mas também para fazer com que os colegas despertassem da letargia que tem afetado a universidade há muitos anos. Acostumamos-nos com as melhorias que inegavelmente aconteceram e perdemos a capacidade de perceber o abismo adiante de nós.
Claro que há outras motivações por parte de alguns colegas que veem a greve também como instrumento de desgaste político do governo, ou como um mecanismo para ampliar influência de grupos políticos entre os professores, além de conquistar espaços na disputa sindical, principalmente na tentativa de fazer o nosso sindicato retornar à influência da Andes. Nada, contudo, que não esteja dentro do jogo das disputas democráticas. Pelo menos dentro dos limites do permitido. Se é aceitável, somente a força de cada lado, dentro do processo de eleições sindicais, irá dizer.
Mas esse é exatamente o grande problema. Tentar descobrir qual é o limite do aceitável de uma greve na Universidade. Aqui me refiro a essa luta específica, de momento, nossa greve que já dura quase dois meses. É claro que não se pode, de forma inconsequente, levar uma paralisação até ao extremo de prejudicar um semestre letivo e, assim, adiar por seis meses a formação dos nossos alunos. Muito menos, é aceitável o estrangulamento da universidade, por inanição. Contraditório, já que criticamos o comportamento de governos que, ao não nos atender, estariam apostando no enfraquecimento dessa instituição. Pelo menos muitos acreditam nisso. Ocorre que a política é, principalmente por nossas bandas, extremamente instável. Quando se imagina haver certa tranquilidade institucional, a disputa pelo poder descamba para um processo autofágico, e se exige, para além da democracia, a rotatividade dos partidos no poder. Mas essa é outra discussão, embora seja uma das razões da crise.
O fato objetivo, para não nos perdermos em subjetividades, é que o momento político brasileiro é, nesse momento, extremamente crítico. Uma crise econômica internacional, um descontrole fiscal que fez com que pela primeira vez fosse enviado ao Congresso Nacional um orçamento deficitário, e uma crise política que vem acompanhada de radicalidade na disputa pelo poder, mas também da visibilidade de velhos esquemas corruptos que tradicionalmente corroem as estruturas do Estado brasileiro e já desde muito denunciado, mas somente agora investigado e punido: uma crise moral e ética enfraquecem a política, o governo e nos deixa em meio a uma ambiente de incertezas.
Como diz um velho ditado popular, é impossível extrair água de uma pedra. E não me refiro às rochas porosas que são características dos aquíferos. O que quero dizer é da impossibilidade de conseguirmos resultados positivos e vitórias dentro daquilo que desejamos e reivindicamos, em meio a um ambiente de caos fiscal e de intensa crise política que corrói o Estado brasileiro, a ponto da atual presidenta da República correr o risco de sofrer um impedimento para concluir o seu mandato. Afinal, golpes institucionais se tornaram práticas corriqueiras em diversos países latino americanos, e os exemplos mais concretos são os de Hondura e do Paraguai. Embora se tenha tentado também isso na Argentina, na Bolívia, no Equador e na Venezuela por diversas vezes.
Mas também, para contrariar o slogan de um comediante que se tornou deputado federal, “pior do que está, pode ficar”. Nós, que estamos há mais tempo na universidade, sabemos o que pode nos aguardar em um governo conservador. Os mais novos deveriam recorrer à história, e assim saberiam o quanto a Universidade sofreu com políticas conservadoras, excessivamente neoliberais, nos anos 1990 e anteriores. Assim, estrategicamente, o melhor que o movimento docente pode fazer é adotar a tática de recuar momentaneamente, para poder acumular forças e torcer para que a situação econômica do país melhore. Não deve nos interessar o “quanto pior melhor”, tão repetido pela presidenta, mas que, na política é algo permanente na linha política daqueles que estão na oposição e fora das mordomias do poder. Muito embora também faça parte de iniciativas tresloucadas de grupos sectários de extrema esquerda, que, nesse particular, aproxima seus discursos aos interesses e objetivos da extrema direita. O caos como objetivo, facilitaria a aglutinação de novos “combatentes”.
Um passo atrás, dois à frente. Essa deve ser a estratégia inteligente que devemos adotar. Encerrarmos a greve e manter negociações visando uma reformulação em nossa carreira. Além da necessidade de discutirmos e debatermos com intensidade, o que não temos feito, os rumos e destinos da universidade, a meu ver, completamente invertido com o abandono da graduação e a preocupação excessiva e determinante para o financiamento dessas instituições, nas melhorias das notas dos cursos de pós-graduação.
Nesse sentido podemos falar de responsabilidades. Com o conhecimento de nossas possibilidades, do entendimento da complexidade da realidade econômica, fiscal e política do país e da preocupação com o futuro, nos cabe tomar uma decisão coerente com nossa capacidade de discernimento. É o momento de encerrarmos o movimento grevista, mas de continuarmos nossa luta pela garantia dos repasses necessários à universidade e de melhorias em nossa carreira em um curto espaço de tempo, no máximo até 2017.
Mas os professores não podem, simplesmente, votar pelo fim da greve e voltar a acomodar-se, como se nada tivesse acontecido, e a destilar as frustrações contra os que estão à frente de nossa entidade. A força que podemos ter depende do fortalecimento de nossas instituições que nos representam enquanto uma categoria, o sindicato e a federação. Não basta nos contentarmos com gratificações e bolsas obtidas por meio de projetos de pesquisas e de extensão. Isso é provisório, e farão falta mais adiante, na medida em que se incorporam aos nossos gastos e estilo de vida. É preciso estarmos presentes na discussões sobre nossa carreira, defender melhorias em nossas condições de trabalho e cobrarmos da reitoria manifestação firme em defesa de nossa autonomia, uma luta antiga mas que parece distante das preocupações dos colegas professores.

Enfim, o que acredito ser uma atitude responsável é, além de encerrarmos a greve, sabermos que nossas conquistas futuras estão umbilicalmente ligadas ao nosso envolvimento nas discussões sobre os destinos da nossa universidade, e da universidade pública e gratuita de maneira geral. Fora isso, outras atitudes, movidas pelo discurso extremo e radical ou pela acomodação e insensibilidade diante dos problemas que é de todos, só nos empurrarão em direção ao precipício.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

UMA ANÁLISE DA GREVE NAS UNIVERSIDADES: SE NÃO APRENDEMOS COM O PASSADO, O QUE PODEMOS ESPERAR DO FUTURO?


COMO PEQUENOS GRUPOS SECTÁRIOS PODEM COMANDAR MULTIDÕES
Eu já escrevi dois textos aqui neste blog, descrevendo comportamentos sectários e intolerantes, e analisando a maneira como pequenos grupos radicalizam em seus discursos e nos comportamentos agressivos.
No primeiro deles  - https://gramaticadomundo.blogspot.com/2012/03/as-origens-da-intolerancia-e-o-fascismo.html - sobre a intolerância religiosa, o meu foco é como a visão dogmática transmitida pela maioria das religiões, impõe certos comportamentos que desqualificam o outro e desrespeitam os que pensam e agem diferente daquilo que é ditado em suas igrejas.
No segundo - https://gramaticadomundo.blogspot.com/2012/07/o-ovo-da-serpente.html - analiso a intolerância sob outro viés, e abordo a maneira como esse comportamento está presente nas redes sociais, principalmente em grupos que são criados para aglutinar um grande número de seguidores em uma comunidade específica. Fiz uma junção disso com as manifestações que têm reunido multidões por vários continentes, mas que carregam consigo uma característica interessante: abdicam da presença de partidos ou de entidades sociais. Nas redes e na multidão, cada um imagina ser todos, e, assim, tentam pela força impor sua concepção, sua visão de mundo, sua “verdade absoluta”. A maneira agressiva e desrespeitosa torna-se uma marca, porque assim se consegue intimidar seus opositores, ou silenciam aqueles que não têm por hábito ir para um enfrentamento político. O silêncio transforma-se em aceitação de comportamentos violentos e intolerantes.
Nos dois casos minha intenção era fazer uma relação com o surgimento do fascismo, e ir mais além. Na verdade esses comportamentos que analiso são responsáveis por levarem eventualmente ao comando segmentos que carregam um forte traço de autoritarismo, se impõe pela agressividade e, consequentemente pelo medo, e pela desinformação que é comum na maioria das pessoas. Quando em determinado momento a insatisfação se espalha em um lugarejo, cidade, ou em uma comunidade, o discurso radical, sectário e a criação de expectativas falsas, mediantes propostas mirabolantes, se impõe. O controle será mantido a partir de alguns elementos comuns a sociedades que se guiam por esses padrões autoritários: manipulação da informação, desqualificação das propostas alternativas, reduzindo-as a meras tentativas conciliatórias; agressão a adversários de forma a intimidá-los e fazê-los desistir de prosseguir no embate. E acima de tudo, a virulência nos seus comportamentos.
Mas há um elemento principal a conduzir tudo isso, a necessidade de convencer as pessoas de que tudo está sendo feito seguindo-se a ordem democrática. A democracia, desde que a burguesia soube encontrar nesse mecanismo um instrumento de controle da sociedade, passou também a servir pequenos grupos. Dessa maneira, em nome da democracia, uma multidão, ou uma sociedade, torna-se refém daqueles que dizem conduzi-los em nome da maioria (quanto a isso escrevi outro artigo: https://gramaticadomundo.blogspot.com/2012/07/como-iludir-o-povo-com-slogan-de.html Para isso, constrói-se uma estrutura uniforme, coesa, verticalizada, e elegem-se representantes mediante uma ordem estatutária, pela qual a maioria que se visa não é a da totalidade representada, mas dos que se apresentam em determinados momentos, nas chamadas assembleias “representativas”.
Paquidermicamente, a comunidade queda-se parcimoniosa, e aceita ser representada por “lideranças” eleitas pela maioria em meio a uma minoria, em nome de todos e de todas. Melhor não querer entender toda essa matemática “democrática”. Mas o certo é que isso é consequência da abdicação que cada um faz, nessa comunidade, em participar. Aceita-se o jogo, embora dele não participe, senão na condição de um mero espectador. À distância, realizando outros afazeres, além daqueles que a “greve” não permite.
Há uma esperança, vã, de que a radicalidade seja o caminho para aumentos mais robustos. Como todos querem, naturalmente, e, em alguns casos, como dos professores, o que é plenamente justo. Assim, entregues à boutade de in-trépidos e virulentos “comandantes”, o destino passa a ser conduzido de forma dirigida, por essas pessoas “combativas”. São os senhores absolutos do destino, e ai dos que divergirem de seus “encaminhamentos revolucionários”. Agem como Dom Quixotes, a dilacerar os dragões em uma guerra que é vista somente aos seus olhos. São moinhos, estúpidos!
Mas, essa aventura surreal chegou a um fim. Esperado, por quem estava vivendo no mundo real. Sem querer ser mais realista do que o rei, mas reconhecendo que nesse caso, um esforço pequeno em nossos neurônios seria suficiente para perceber a estupidez que estava a nos dirigir, escrevi também um texto criticando a estratégia “burra”, a teimosia latente e o aparelhamento de uma vontade, em benefício de uma “birra” política em meio a uma disputa sindical:  https://gramaticadomundo.blogspot.com/2012/08/a-greve-nas-universidades-nenhuma.html.
ROMPENDO COM A ANDES, CONSTRUINDO UMA NOVA ALTERNATIVA
Por causa desses comportamentos, que já se estendem por décadas, foi que houve um rompimento dentro do movimento docente. Era impossível conviver com o sectarismo da direção da Associação Nacional dos Docentes, Andes, muito mais preparada para fazer greves que tinham objetivos de derrubar governos e reproduzir programas partidários em suas teses, de grupos cujas propostas caem em descrédito entre aqueles que as leem, mas tornam-se bandeiras aceitas entre professores universitários. Parece um paradoxo, já que a maioria da comunidade universitária está bem distante de adotar a defesa de alguma bandeira esquerdista. Nesse ponto retorno ao que já escrevi parágrafos acima. Essas teses e propostas não são lidas, e os professores se limitam a acreditar que a radicalização será o caminho para “dobrar” o governo, e abdicam de questionar o comportamento adotado pelos grupos que estão na condução do movimento.
Assim, vários professores que faziam parte de muitas Associações de Docentes, deram um basta a essa situação. A máquina construída em torno da Andes, para manter essa política em vigor era difícil de ser vencida. Começando pela quantidade de professores necessários para compor uma chapa que pudesse concorrer às eleições: mais de 60. Além do controle exercido sobre a maioria das associações, cujo poder sempre foi segurado à custa desse “cheque em branco” concedido pela ausência dos professores dos órgãos decisórios, e do forte aparelhamento a uma única linha ideológica.
A consequência foi a criação do Fórum de Professores das Instituições Federais de Ensino Superior (PROIFES), surgida como um embrião de uma futura federação dos professores, vista como o mecanismo ideal e mais democrático de estruturação de uma entidade que nos representasse de forma mais plural, abrangendo professores com concepções diversas, refletindo assim a composição da própria universidade.
A ênfase principal se daria sobre a necessidade de se buscar por todos os caminhos, desde a pressão até a articulação política via parlamentares, uma mesa de negociação com ministérios responsáveis por definir nossos destinos enquanto servidores públicos federais: o Ministério da Educação e o Ministério do Planejamento e Gestão.
Partia-se do pressuposto que somente dessa forma seria possível corrigir as distorções em nossas carreiras, e que os embates sectários e de radicalidade artificializada somente atrapalhavam as nossas negociações. Afinal, pudemos viver nos últimos anos com governos que, se não cedem em tudo que reivindicamos pelo menos se abrem a negociação e mantém canais de diálogos que têm sido explorados. Foi assim que conquistamos mais degraus em nossa carreira. Embora nem tudo seja perfeito, e alguns comportamentos mais excessivamente conciliatórios devam ser contidos.
Foi possível ver, com a criação do Proifes, e mais recentemente da Federação dos Professores nas IFES, o quanto as propostas apresentadas pela Andes eram, além de irreais, profundamente nocivas para uma carreira docente que deve se pautar, principalmente, pela valorização daqueles que se dedicam permanentemente por sua qualificação.
Porcentuais mirabolantes, claramente inaceitáveis pelos governos, vistos que os impactos momentâneos nas leis de diretrizes orçamentários seriam extremamente elevados, e propostas de carreiras absolutamente retrógradas, mirando na valorização maior das camadas de menor qualificação e nos que não se dedicam exclusivamente à universidade. Numa completa inversão da lógica que tem conduzido a universidade brasileira nos últimos anos, e tudo que se espera em uma instituição que aposte cada vez mais na qualificação de seus profissionais. Essa sempre foi a proposta da Andes para a universidade brasileira.
Professores em Brasília. A UFG está mesmo
morta, como faz crer alguns? (Foto publicada
na revista Veja, para atacar a Universidade)
É natural imaginar que em uma universidade, cuja maioria de seus professores atualmente encontra-se na condição de adjunto e associado, portanto já com doutorados, rejeitasse essas propostas. Mais é surpreendente ver que isso não acontece. Pelas razões já expostas, a meu ver. Entrega-se em mãos de quem tem comportamentos mais radicais o destino da categoria, além de, e talvez isso seja a razão principal, desconhecer completamente as propostas tais como elas são escritas e apresentadas nas pautas junto às mesas de negociações.
Assim, a maior parte dos colegas desconhece a real profundidade das propostas que, indiretamente, pela abstenção e concessão de suas vontades, eles estão apoiando. Se as lessem, certamente rejeitariam. Porque são bizarras, diante daquilo que temos construído nos últimos anos em nossas universidades, e na UFG, em particular. São retrógradas, se comparadas às necessidades de valorização das qualificações, conforme dito, mas que deve ser repetido.
Mas a ênfase nessas propostas, pois se sabe que elas não são conhecidas, segue uma estratégia adotada nessas assembleias em comunicados histriônicos dos comandos locais e nacional de greve. Para o “convencimento” ser mais convincente, com perdão da redundância, eleva-se os porcentuais de reajustes a níveis estratosféricos. Mais de cem por cento. Que beleza! Quem sabe pode ser, afinal, sempre desejamos tocar a lua.
COMO CONSTRUÍMOS NOSSOS DESTINOS?
Alguns poderão dizer que essa é uma opinião. Naturalmente, de quem está escrevendo. Mas desafio a discordarem do que está dito aqui, após analisarem todo o comportamento que guiou essa greve desde o seu começo até a última assembleia. O não esquecimento é o melhor remédio para o combate aos comportamentos mais pervertidos. E, principalmente, lerem a proposta de mudança em nossa carreira elaborada pela Andes e compará-la com aquela que foi negociada entre o governo e o Proifes. Se depois que isso for feito a opinião for diferente da minha, humildemente acatarei, mas me reservo também no direito de incluir o eminente “sábio” no grupo dos que precisam deixar de lado o surrealismo e se deparar rapidamente com o mundo real.
É uma característica da universidade, templo do conhecimento e da ciência, a busca permanente pela verdade – embora ela jamais seja absoluta –, através do caminho da ciência, da lógica, do método comparativo entre o que construímos em hipótese e aquilo que a realidade empírica nos impõe.
Então é isso que deve ser feito. Encerrada esse movimento que intitulei de “a greve dos maias” (já que se imaginava chegar a dezembro, a fim de ver comprovada a profecia dos povos Maias, do caos absoluto e do fim do mundo, para em seguida vir à redenção), é importante que cada professor tome conhecimento das propostas que foram apresentadas e, de per si, possam firmar uma compreensão equilibrada a respeito do que estávamos lutando, o que conquistamos, e o que nos faziam crer ser o começo de uma proposta de “universidade popular”.
Nenhum problema que isso seja feito lá pelo mês de janeiro ou fevereiro. Assim, em meio a um período em que deveríamos estar descansando, possa cada colega ver se valeu a pena a insistência por uma proposta previamente derrotada, porque jamais seria aceita em uma mesa de negociação com o governo, pelo próprio caráter antagônico ao projeto de universidade que foi construído nos últimos anos. E que possa se perguntar, em sendo assim, porque essa greve não acabou antes?
Espera-se então, depois de mais um ensinamento prático, que continuemos fortalecendo o nosso sindicato (em Goiás, a ADUFG), para que este possa cumprir o seu destino. Na linha daquilo que acreditamos ser mais apenso à realidade do que o que se pretendeu alguns aventureiros que buscaram aplicar um golpe, com uma radicalidade que beirou ao comportamento fascista, desde agressões a professores, intolerâncias e digressões psicológicas, à aceitação da condução infantilizada por séquitos de “radicalóides”, uma chusma para a qual o grupo Ultraje a Rigor já havia, na década de 1980 criado a sua trilha sonora, com a música “Rebelde sem causa”. Não generalizo. Mas isso que relato foi fato no começo dessa greve. E não somente em Goiás.
A lição é que a Universidade não pode abdicar de seus princípios e valores, em um ambiente que se caracterize pelo respeito à diversidade de ideias, mas que o debate consiga fluir de forma respeitosa e baseada em uma disciplina que respeite o papel que nela desempenha quem produz e transmite conhecimento. Ou despertamos para isso imediatamente, ou em breve nos depararemos com os mesmos problemas que enfrentam escolas de periferia (mas não somente elas), onde o desrespeito e a agressividade têm afastado muitos professores. Se prosseguirmos aceitando comportamentos como o que vimos no decorrer dessa greve, corremos o risco de nos tornarmos um grande escolão, sem disciplina, com inversões de valores e com a estupidez a nos comandar.
As coisas não ocorrem aleatoriamente, tudo está ligado por situações que determinam como será o nosso futuro. Ele é construído agora, a partir das decisões, ou vacilações, que definem o caminho por onde vamos seguir. É assim que construímos nossos destinos. Tudo decorre das escolhas que fazemos, e nada acontece por acaso. Então, fica a seguinte questão: que universidade queremos? Sua resposta, e o grau de engajamento para concretizá-la, definirá como poderemos ser amanhã.