domingo, 11 de setembro de 2011

WORLD TRADE CENTER – RÉQUIEM PARA UM IMPÉRIO

11 DE SETEMBRO DE 2001: TRÊS AVIÕES, DUAS TORRES, UM PENTÁGONO E O COMEÇO DO FIM DE UMA ERA
Como historiador é fascinante poder desvendar os mistérios que cercam os acontecimentos ao longo dos tempos. Com a geopolítica, teço as linhas temporais na definição dos territórios e do concerto das relações internacionais. Como gente, presente ainda no cotidiano entre-séculos, a ver minha vida pessoal também atormentada por perdas irreparáveis nessa primeira década, me vejo também como participante dessa História. Posso dizer, até o final dos meus dias, que pude presenciar um inusitado ataque a um dos maiores impérios da humanidade desde o transcurso das civilizações.
Na somatória disso tudo, pelo fato de permanentemente estudar todas essas transformações, e também poder sentir como uma tragédia pode transformar nossa vida, me sinto dentro dessa História. Afinal, desde o final dos anos 1990 que me debruço sobre as transformações econômicas e sociais, a fim de entender a lógica insana e contraditória que movimenta o mundo.
Nos passos de Eric Hobsbawm, aprendi a compreender a história pelo olhar criterioso da dialética marxista. Às vezes por sua brilhante interpretação, outras bebendo na fonte dos teóricos do materialismo histórico, Marx e Engels, pude entender melhor como essas contradições explicam os choques de interesses contrários e alteram ao longo do tempo o curso da história.
Não existe nenhum ato que seja isolado do contexto que o circunda. Nada acontece aleatoriamente, nem desvinculado de elementos causais. Há sempre um ponto de partida, mas ele nunca surge espontaneamente, e por vezes, é, em si, também o ponto de chegada, a depender do que se deseja analisar. Mas isso não significa o fim da História. Como erroneamente afirmado no final do século passado, ela jamais se encerrará porquanto existir a raça humana. Contudo, sob determinadas circunstâncias, um ato pode transbordar uma imensidão de efeitos devastadores, fazendo alterar na sequência a  própria condução do processo histórico.
O 11 de setembro de 2001 é um desses momentos emblemáticos da história humana. Por mais que os apaixonados pelo glamour “americano” – embora o correto seja afirmar estadunidense – insistam em não enxergar nesse acontecimento a decadência dos Estados Unidos, enquanto potência hegemônica política e economica, os fatos subseqüentes, até os dias de hoje e pelo que se aponta ao futuro, determinam que o século XXI se iniciou sob uma nova égide.
Todo terror é insano. Venha do lado que vier e sob quaisquer tentativas de justificá-lo. Pelo simples fato dele perpetrar o assassinato indiscriminado de pessoas inocentes, com o objetivo de espalhar o medo e criar dificuldades para os que detêm o poder. Embora esses quase sempre fiquem imunes a tais ataques. Tornam-se alvos quem inclusive pode até ser voz dissonante na aceitação do governo ou governante que se quer atingir. Em síntese, é abominável como instrumento de luta pela libertação e/ou dominação de um povo. Injustificável.
O que não significa que não devamos estudar suas causas, para melhor entender as razões que levaram seus autores a praticar tamanha barbaridade. Mas, por vivermos a história de um tempo presente - embora ele passe permanentemente cada vez fluindo mais rapidamente em nossa aparência cotidiana - pude também acompanhar as ações do “império americano” por toda a década de 80.
São idas e vindas de relações políticas incoerentes, sucedendo-se ações militares indiscriminadamente na aliança com certos atores, desde que o objetivo intentado pudesse ser atingido. Quase sempre esses objetivos estavam ligados ao domínio de regiões estratégicas do mundo, com o intuito de manter o controle hegemônico da economia mundial, e de áreas ricas em recursos minerais, com destaque para o petróleo, mais importante fonte de energia a movimentar a maior potência econômica do planeta, em crescente escassez desse produto para atender à demanda de um final de século portentoso. Principalmente depois de sagrar-se vitorioso no embate travado por quatro décadas de Guerra Fria com a desestruturada União Soviética.
O controle dos mercados americanos e asiáticos, à exceção da China, e das riquezas petrolíferas do Oriente Médio, fez da política externa dos Estados Unidos uma extensão das estratégias de guerras dos falcões que dominavam o Pentágono. A África, recém-descolonizada e ainda entregue à sanha dos aliados europeus, manteve-se desprezada por essas ações, e aos poucos se enterrando em lutas tribais, como conseqüência de uma divisão territorial em Estados Nacionais que não correspondiam às suas características étnicas.
O fim da guerra fria fez explodir em ambição os interesses imperiais. Onde existissem grandes reservas petrolíferas o alinhamento com os EUA deveria ser obrigatório. Os governantes que ousassem contrariar essa política poderiam contar os seus dias. Seriam iniciamente demonizados, contando com todo o aparato midiático ocidental, transformar-se-iam em inimigos da humanidade e assim declarados pela Corte de Haia, perseguidos implacavelmente e seus países ocupados a fim de substituí-los por quem estivesse disposto a tornar-se cúmplice das ações rapaces imperialistas.
A OTAN, instrumento criado para a guerra fria, passou a ter outra finalidade, agir no estreito interesse dos Estados Unidos, e bombardear com forte aparato militar países frágeis em suas defesas, muito embora aparentemente resistentes pelas retóricas e fanfarronices de seus governantes. Alguns, ditadores, outrora aliados ocidentais, transformados em inimigos quando passavam a defender interesses nacionais e a se fortalecerem em governos títeres centralizadores, dificultando os objetivos econômicos dos países e grandes corporações ocidentais.
Mas não há ação que não gere uma reação em sentido contrário, como na física, conforme formulado por Isaac Newton, na sua terceira lei. Assim, até na política pode-se dizer que encontraremos sempre a possibilidade de essa reação ocorrer, como também se aplicando as leis da dialética, pelas quais o choque dos contrários impõe uma transformação inevitável, quando se atinge os limites dessas contradições.
Depois de décadas aplicando uma estratégia de ocupação militar ostensiva, quando não intervindo através de ações de espionagem e sabotagem sobre governos que lhes eram antipáticos, os Estados Unidos tornou-se inimigo público número um de grupos guerrilheiros, organizações revolucionárias e libertárias por todos os continentes. Agravado com a política da Guerra Preventiva, principal elemento a movimentar a Doutrina Bush.
No mundo árabe isso se tornou mais intenso como decorrência do acobertamento dos abusos e crimes cometidos pelo Estado de Israel na ocupação do território palestino e da política de estrangulamento da economia de Gaza e da Cisjordânia, através de bloqueios e isolamento de uma população que há mais de quatro décadas luta por um Estado soberano.
Os ataques do 11 de setembro foi uma conseqüência dessas políticas. A própria Al Qaeda, sob certas circunstâncias, originou-se diretamente desse processo. Primeiro, quando os Estados Unidos financiaram os insurgentes anti-soviéticos no Afeganistão no ocaso da guerra fria, já nos estertores do Império Soviético. Bin Laden e os Talibãs, e isso já foi fartamente documentado, foram armados e exaltados pelo Governo Reagan e posteriormente pelo Bush pai. Depois, numa inversão de lado, Bin Laden rebela-se contra a Guerra do Golfo, quando uma coalizão ataca o Iraque que então tinha invadido o Kwait, na denominada “Operação Tempestade do Deserto”. Também foi o momento de rompimento de Bin Laden com a Monarquia Saudita e do seu deslocamento para a fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão.
Sucessivos ataques terroristas anteciparam o que seria o mais espetacular atentado da história.  O próprio World Trade Center já tinha sido alvo de um ataque em 1993, quando um carro bomba explodiu mais de 600 quilos de combustível e nitrato, matando seis pessoas e ferindo pouco mais de 1000. O ataque à Torre Um, foi feito na garagem desse prédio numa ação presumivelmente financiada pela Al Qaeda, mas realizada por um grupo de fundamentalistas islâmicos. Mas essa organização caracteriza-se exatamente por ser representada por diversos grupos, que se autodenominam seus membros, e por terem sido por ela algumas vezes financiadas, numa espécie de rede terrorista que atua sob franquias. Isso se ampliou muito mais após a reação dos Estados Unidos com as invasões do Afeganistão e do Iraque.
O atentado de 11 de setembro, malgrado a devastação de vidas humanas alheias às disputas geopolíticas e às agressões estadunidenses (à exceção de alguns agentes da CIA que morreram em um dos prédios, onde existiam um escritório dessa agência), representou uma resposta a uma política externa extremamente beligerante e claramente disposta a exercer o controle sobre todas as regiões estratégicas do mundo. Inclusive em territórios anteriormente vinculados à extinta União Soviética.
Mais do que um simples atentado terrorista o ataque simultâneo às duas torres do World Trade Center, ao Pentágono e, possivelmente, à Casa Branca, indica uma operação de guerra espetacular e muito bem planejada. Estrategicamente brilhante, porque tinha como alvo edifícios símbolos dos poderes econômico,  militar e político. Este último, no entanto, não chegou a ter sucesso, com um dos aviões-bombas caindo no Estado da Pensilvânia, provavelmente como decorrência da reação de seus passageiros.
Não se sabe, contudo, para completar a inteligência do plano, se os terroristas sabiam da possibilidade de as duas torres desabarem em um processo semelhante à implosão, ampliando em muito a dimensão do atentado e a quantidade de vítimas. Isso porque a própria construção do complexo já continha em sua engenharia a preocupação de resistir ao choque de aviões, embora não a um Boeing 767. Contudo não foi o choque em si, responsável pelo desabamento das torres, e sim um processo de combustão gerado pela queima do querosene, combustível dos aviões que estavam com tanques praticamente cheios.
Não foram, contudo, somente as duas torres a desabarem. Mas praticamente todo o complexo, composto por sete torres foram abaixo nos dias seguintes ao atentado. Alguns foram implodidos em função de estarem com suas estruturas danificadas e desabariam inevitavelmente.
Com número inferior de vítima, mas de uma importância reduzida somente pelo beneplácito da mídia, a destruição de parte do pentágono talvez represente uma ousadia maior do que ao do ataque às torres gêmeas. O Pentágono, coração da segurança militar e centro das principais agências de defesa dos Estados Unidos, representa o poder militar da maior potência do mundo. Neste quesito imbatível, naquele momento, no atual, e ainda por muitos anos. Se a perícia existente na condução dos aviões em direção ao World Trade Center se repetisse no Pentágono, certamente o impacto poderia ser muito mais devastador.
Quanto ao quarto avião, presumivelmente a ser jogado contra a Casa Branca, teve outro fim que custou a vida de todos os seus 45 passageiros e tripulantes, e não conseguiu atingir o alvo previsto. Mas há controvérsias quanto a este alvo. É provável que pudesse ser também o Capitólio, a sede do Congresso estadunidense.
Mas ainda existem muitas indagações sobre esse acontecimento. A rapidez com que os órgãos de segurança identificaram os seqüestradores se choca com a incompetência em impedir que um atentado tão espetacular pudesse ocorrer, com o seqüestro simultâneo de quatro grandes aviões comerciais. Para se ter uma idéia, 18 horas após o atentado a CIA já estava entrevistando o proprietário de uma escola de aviação, onde dois seqüestradores aprenderam a pilotar. Presume-se que praticamente todos os seqüestradores já estivessem sendo monitorados pela “inteligência” estadunidense, o que deixou margem para que inúmeras teorias apontassem para uma possível negligência programada, com o intuito de implementar uma política externa e militar mais agressiva. O que já constava da própria campanha de Bush Jr. à presidência.
A maneira como se comportou o governo daquele país nos atos subseqüentes deixam, de fato, dúvidas a respeito dessas fragilidades da segurança. Se naquele momento a popularidade de Bush era inferior à 40% ela adquiriu um pique de mais de 80%, principalmente após o seu discurso beligerante no parlamento, onde contou com a unanimidade para a implementação da denominada “Guerra ao Terror”. Alie-se a isso o fato de posteriormente várias denúncias envolverem o poderoso exército privado “Blackwater”, agora “Ox”, e o vice-presidente Dick Cheney. E uma série de outras relações mal explicadas de corporações que se beneficiaram com a partilha da reconstrução dos países destruídos no pós-11 de setembro.
Evidentemente, não se faz guerra a um país, principalmente historicamente reconhecido como difícil de ser ocupado (já tentado no século XIX pelos britânicos e no século XX pelos soviéticos), sem que um planejamento militar já esteja devidamente com estratégicas e táticas previamente elaboradas. Além da preparação de toda uma infra-estrutura grandiosa para garantir o deslocamento de dezenas de milhares de soldados, equipamentos e um forte aparato militar. O tempo transcorrido entre os atentados das torres gêmeas e a invasão do Afeganistão (considerando a necessidade de uma investigação) foi de menos de um mês.
O que evidencia a existência de um plano já pronto anteriormente à data dos atentados. Ressalte-se que não somente a desconfiança em relação ao regime do Taliban, mas outros interesses motivavam a invasão do Afeganistão. A necessidade da construção de oleodutos e gasodutos pelo território afegão, até então negado veementemente pelos talibans. A confirmação dessa suspeita pode ser encontrada em qualquer busca pela internet, identificando a construção dos mesmos atendendo aos interesses de empresas estadunidenses, uma delas muito citada, a Unocal, ligando o Turcomenistão ao Paquistão atravessando o território Afegão e chegando ao Mar da Arábia, para em seguida atingir o Oceano Índico (ver mais site http://geopoliticadopetroleo.wordpress.com).
Inegavelmente foi um atentado extraordinário e um crime em massa descabido. Mas a reação que seguiu foi igualmente exagerada e extremamente desproporcional. O que se aplicou a seguir ao atentado do World Trade Center foi completamente irracional, tanto quanto as ações terroristas, ou mais, pela quantidade de mortes que a ação militar gerou, superando em muito o número de mortos do 11 de setembro. É praticamente impossível se obter um número exato de pessoas que morreram nas guerras do Iraque e do Afeganistão, mas é possível dizer com segurança que o número supera a quase cem vezes a quantidade de vítimas da ação terrorista. Possivelmente mais de meio milhão de pessoas, a enorme maioria civis, padeceram e padecem, como conseqüência da vingança estadunidense, aliada aos objetivos escusos já em curso para se obter o controle daqueles territórios.
Mas ao contrário do que tenta apresentar os principais meios de comunicação, a perda maior foi sem nenhuma dúvida para os Estados Unidos da América, comparativamente à Al Qaeda. E são vários os fatores decorrentes desses ataques que explicam o processo de decadência econômica do imperialismo estadunidense. O primeiro diz respeito à completa paralisação da economia daquele país por cerca de uma semana, sem que sequer as principais bolsas de valores funcionassem. Estagnou-se também, por completo, todo o sistema de circulação, inicialmente com o impedimento de vôos comerciais, para em seguida, e até por cerca de um ano, uma verdadeira operação tartaruga travasse quase por completo todo o sistema de aviação, como uma necessidade para rigorosa identificação dos passageiros. Agora, todos suspeitos de serem terroristas.
As corporações financeiras, responsáveis pelas principais empresas seguradoras do país, sofreram um forte baque, e não se recuperariam desde então. Sendo essa uma das razões da crise que estourou em 2008 e se estende até os dias atuais.
Um clima de terror e desconfiança tomou conta das principais cidades estadunidenses e a aplicação do chamado Ato Patriótico impôs restrições ao livre deslocamento de pessoas internamente e também daqueles que pretendiam ali ingressar. Mas não só isso, esse ato cerceador das liberdades democráticas constituiu-se em uma verdadeira institucionalização da bisbilhotagem da vida das pessoas, garantindo ao Estado vigiar permanentemente, sem ordem judicial, todo e qualquer indivíduo que as agências de “inteligência” julgassem suspeitos. O “Big Brother” orwelliano mudou de lado.
Nas fronteiras dos territórios ocupados, mediante a ação desproporcional e indiscriminada, e sob suspeitas infundadas de existências de armas nucleares e de destruição em massa, como no caso do Iraque, o extermínio de civis inocentes tornou-se uma criminosa rotina. Tanto nas atitudes militares e de mercenários estadunidenses, como na resposta dada pelos insurgentes com as explosões permanentes de fundamentalistas suicidas e de carros bombas, a destruir a infra-estrutura da cidade como, principalmente, proporcionar o assassinato em massa de dezenas e, ao final, centenas de milhares de afegãos e iraquianos. Inúmeros deles foram presos sem muitas explicações e submetidos à torturas por prisões tipo Abu Ghraib e Guatánamo, espalhadas em países de governos ditatoriais aliados, como o do Iêmen, e até mesmo na Líbia de Ghadafi, agora tornado inimigo.
A empreitada vingativa dos Estados Unidos, embora militarmente destruidora, mas não necessariamente vitoriosa teve um forte efeito colateral. Já abalado pelo atentado que causou prejuízos gigantescos à sua economia, as despesas militares acentuaram-se a níveis jamais vistos, superando todos os gastos daquele país durante as duas guerras mundiais. Se serviu para abastecer as contas dos aliados e financiadores da campanha de George W. Bush, e isso é fato, fartamente denunciado, com o aproveitamento do espólio iraquiano por grandes corporações ocidentais, principalmente dos EUA, por outro lado foi um fator preponderante para abrir um rombo enorme em suas finanças.
As dívidas, externas e internas, se elevaram a níveis gigantescos, chegando-se aos dias de hoje a superar o seu Produto Interno Bruto, algo que jamais ocorrera, nem mesmo durante a grande depressão da década de 1930. Plenos em suas ganâncias, os investidores não se contiveram em artificializar ganhos com uma espécie de corrente especulativa, aproveitando-se de um sistema de crédito propício à implementação desses mecanismos golpistas, tentaram recuperar seus prejuízos endividando os cidadãos estadunidenses ao limite de suas capacidades.
Um outro mundo, no entanto, seguia seu curso de desenvolvimento livres das amarras e das imposições do império. Enquanto envolvia-se nas guerras na Ásia central e Oriente Médio, outros países aproveitavam de uma conjuntura favorável e fortaleciam seus mercados internos, regionais e buscavam novos caminhos para seus investimentos produtivos. Isso fez com que países como Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, dentre outros, avançassem celeremente em direção a um novo protagonismo em um mundo que já não mais aceitaria como antes o comando unipolar de um império decadente.
Como conseqüência dessas alterações geopolíticas a grave crise de 2008 atingiu de maneira mais amena esses países, dando mais impulso ainda aos seus fortalecimentos perante a economia mundial e principalmente regional. Em contrapartida aqueles países, além dos Estados Unidos, que diretamente se envolveram nos conflitos que se seguiram ao ano de 2001, passaram a conviver com uma crise econômica tão intensa quanto de difícil previsão em relação à sua superação.
Em abril de 2011, quase dez anos depois, os Estados Unidos em uma operação suspeita, invadiu o Afeganistão e assassinou Osama Bin Laden, dando sumiço ao seu corpo. Um mês depois, um helicóptero militar, contendo parte do grupo que eliminou Bin Laden, um comando especial da Marinha, foi estraçalhado por uma ação do Taliban em uma suposta armadilha, caracterizando uma ação de vingança que provocou a morte de 22 daqueles soldados que estiveram em Abbottabad, cidade próxima à Islamabad, capital do Paquistão (http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,eua-sofrem-pior-reves-no-afeganistao,755180,0.htm).
Pouco tempo depois acentuou-se a crise econômica da ainda maior potência do planeta, embora em franca decadência. Pela primeira vez em sua história os Estados Unidos se depararam com a possibilidade de ter que dar calote em suas dívidas. Caso isso acontecesse causaria uma verdadeira paralisação em todo o sistema financeiro, o que jogaria todo o mundo em uma forte depressão econômica. Mas o risco ainda continua.
Embora tenha sido eliminado, Osama Bin Laden seguirá sendo um fantasma a incomodar as grandes potências. Sendo ou não o principal responsável pelos espetaculares atentados, o fato é que a ele foi dado todas as responsabilidades pela orquestração da ação terrorista. Mas por trás dele toda uma rede permanece ainda atuante, e seguirá assim porquanto as ocupações militares continuarem a criar insurgentes, e porquanto a política externa estadunidense se preocupar somente em expropriar riquezas e exercer controle sobre pontos estratégicos, mas seguramente repletos de gente dispostas a lutar contra a sua dominação.
Não restam dúvidas, muito embora diga o contrário Obama e grande parte da mídia, que o 11 de setembro desmoronou não somente parte do pentágono e o complexo do World Trade Center. Mas abalou seriamente a economia dos Estados Unidos e por conseqüência de muitos países europeus. Por tudo que a História real nos conta desde então, podemos afirmar que as ações da Al Qaeda, literalmente, atingiram seus alvos.
Quanto às lembranças que restam daquela data fatídica, não devemos somente lamentar os quase três mil mortos no império. Inclusive os mais de sete mil jovens soldados estadunidenses que foram à guerra. Mas também as centenas de milhares, incluindo-se crianças, mulheres e velhos, em sua enorme maioria civis, que foram massacrados pelas tropas “aliadas” em seus lugares de viver e trabalhar. E pelos tantos outros milhares, inclusive dos soldados que compunham a aliança militar ocidental, que permanecerão incapazes e com seqüelas por perderem parte de seus corpos, para o resto da vida.
O mundo mudou, em 2001 e nos anos seguintes. Mas, seguramente, não foi para melhor.

Um comentário:

  1. Tenho a seginte dúvida. Não teriam os americanos queimado o arquivo com a morte dos fizileiros da marinha que mataram Bin Laden?
    Esta dúvida é tão válida quando aquela que diz que os americanos precisavam dos atentados para recuperar sua economia, baseada na guerra.
    é como sempre um texto que merece ser lido.
    Abraços

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