terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

O EIXO DO MAL - VENEZUELA, IRÃ E CORÉIA DO NORTE


Como faz diferença ter capacidade de produzir mísseis nucleares. Coréia do Norte sempre foi um dos eixos do mal, desde a Era Bush. Quando invadiu o Iraque o eixo-do mal, assim distinguido pelos falcões estadunidenses, eram: Irã, Venezuela e Coréia do Norte. Continuam sendo, mas desses três o mais blindado por sua capacidade bélica é a Coréia do Norte. Isso faz com que o Trump, sucessor das diatribes da família Bush, viaje por milhares de quilômetros para uma "reunião de cúpula" com o líder coreano. Quanto ao Irã e a Venezuela pairam sobre seus territórios guerra híbrida e ameaça de invasão militar. Ressalte-se que o potencial bélico do Irã não é de se desprezar, com capacidade de atingir Israel, e quiçá com mísseis nucleares, embora isso não seja de todo certo. No caso da Venezuela o que faz com que os EUA ainda não tenha optado pela invasão é o potencial guerrilheiro que existe naquele país. Calcula-se em mais de um milhão de milicianos bolivarianos, armados e dispostos a morrer na defesa da soberania venezuelana, além das forças armadas e das tropas regulares. Até que ponto isso será empecilho para as invasões não se sabe, mas sabe-se sim a importância que esses países possuem, seja pelas riquezas existentes em seus subsolos, com as maiores reservas de petróleo do mundo, além de territórios situados em posições estratégicas no espectro da geopolítica mundial e nas disputas entre EUA, Rússia e China.
Na impossibilidade disso se concretizar assistimos a comportamentos bizarros nas relações internacionais. É absolutamente ridículo ver EUA, União Européia e Grupo de Lima, se apegarem a um presidente "autoproclamado". Isso é inusitado, e só mostra a falta de alternativas para derrubar Maduro. Aberração maior do que essa é ver uma imprensa estúpida, comprar essa história e se referir a alguém que não foi eleito, como presidente “autoproclamado”. Imaginem se a moda pega. É absolutamente vergonhoso e demonstra cabalmente que não há isenção por parte de uma imprensa que soma suas vozes quase que de forma uníssona em torno dos interesses estadunidenses. Ajuda humanitária o catso! Porque a ONU não assumiu a frente disso, se o interesse era de fato ajudar? Claro que essa foi uma estratégia para invadir a Venezuela. Por outro lado a situação da Venezuela é em grande parte gerado por um bloqueio econômico pérfido, imposto pelos EUA. Ora, se há crise humanitária, porque não acabar com o bloqueio econômico? Simples, porque não é esse o objetivo, normalizar a situação na Venezuela, mas aplicar um golpe de estado e impor ali um novo regime que seja equivalente políticamente aos novos governos de direita que assumiram o poder no Brasil, Argentina, Paraguai e Colômbia.
Quem é ditador nessa história? Se o autoproclamado, como o termo mesmo indica se indicou como presidente, sem ter sido eleito para o cargo de presidente. Pode isso? As regras da ONU mudaram? Claro que essa é mais uma estratégia da guerra híbrida, criar uma polarização em torno de um governo paralelo, mesmo que ilegítimo, mas apoiado por aqueles países que tem interesse em derrubar o regime bolivariano, visto como o último baluarte do "socialismo". Embora haja controvérsia sobre se de fato há socialismo naquele país. Particularmente não vejo assim. Há um governo que resiste bravamente a um pérfido bloqueio econômico e a um cerco de países governados por setores conservadores, e por isso e outras razões, entregue a enormes dificuldades para governar. Venezuela é a bola da vez. Desde há mais de uma década. Assim como Irã e Coréia de Norte. Cada um desses países se depararão em algum momento com uma guerra híbrida, a exceção da Venezuela que já vive isso. O difícil é desestabilizar um governo que possui capacidade nuclear, no caso da Coréia do Norte. Não se sabe nas mãos de quem isso pode cair.
Anos atrás escrevi sobre isso aqui nesse blog, acompanhando também as avaliações do professor Moniz Bandeira, falecido no ano passado, e de Pepe Escobar, um dos mais capacitados analistas em Geopolítica para o Oriente Médio. Claro que a conjuntura era diferente, já que os artigos foram escritos no ano de 2010, logo que criei esse Blog.
Sugiro a leitura dos artigos que intitulei “O Eixo do Mal”:
3. O EIXO DO MAL (III) – A CORÉIA DO NORTE -





Um comentário:

  1. Professor, bom dia. Vi em um vídeo Pepe Escobar questionando o 11 de setembro. Ele colocou estranheza afirmando que a torre que caiu primeiro foi a que foi atingida por ultimo e que o ultimo prédio desabou muito depois das outra e de forma muito perfeita em termos de demolição. Ele então entra numa linha de que EUA teriam buscado ou construído aquele fato. Eu assisti um curso de Geopolítica que deste. Nele, falaste que o dano financeiro econômico causado por aqueles ataques, fora tão grande que por si, já afastaria a hipótese de fraude. É bem verdade que seria muito menos prejuízo derrubar o Empire State ou contar com o dano a um dos lados do Pentágono.
    Peço portando espaço para lhe perguntar: este assunto é controverso no meio científico?
    Abraços, Lucio

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