quarta-feira, 28 de agosto de 2013

EUA E PAÍSES EUROPEUS AMEAÇAM BOMBARDEAR A SÍRIA.

ESSE FILME É REPRISE.

Já disse Karl Marx, ironizando os que diziam que a história se repete: ela se repete "da primeira vez como tragédia, da segunda vez como uma farsa".
Foto: site Carta Maior
EUA e países europeus ameaçam atacar a Síria. Já vimos esse filme, diversas vezes. Só para avivar a memória, uma matéria do jornal O Estado de São Paulo (para não deixar duvida quanto a abordagem ideológica, segue link abaixo) relembra a farsa das armas de destruição em massa, que justificou a invasão do Iraque há dez anos. 
As bolsas despencaram em todo o mundo só com essa notícia do possível, e provavelmente eminente, bombardeio á Síria. Resultado: os grandes investidores, especuladores contumazes, se aproveitam das baixas geradas pelo medo da guerra, e compram ações em seus preços em queda.
Os EUA esperaram o momento adequado, a valorização do dólar. E se aproveitam de um ataque perverso, muito embora sem explicação sobre quem cometeu o ataque contra a população, podendo ser também uma ação de grupos terroristas, como a Al Qaeda, que lutam ao lado dos rebeldes sírios. Afinal, o governo sírio era sabedor de que se usasse esse tipo de armas estaria provocando as grandes potências. Uma armadilha? Quem sabe? Mas os velhos aliados não estão preocupados em obter essa resposta. Desejam uma guerra. A crise econômica exige uma saída. E a guerra é sempre uma saída para a crise. Vender armamentos é um ótimo negócio, as ações das empresas bélicas são as únicas que disparam nesses períodos.
Foto: EPA - Voz da Rússia
Acredito também que exista uma espécie de retaliação dos EUA à Rússia, pela concessão do visto a Edward Snowden (que denunciou o "big brother" estadunidense). Como se sabe, a Rússia, além de maior aliada da Síria, mantém uma base militar naquele país. A Única base militar russa no Mediterrâneo. Por outro lado, a Síria é o maior empecilho para se atingir o Irã por terra, via Mediterrâneo. Já que pelo Golfo Pérsico seriam alvos fáceis da Marinha iraniana.
Aliás, na semana passada foi confirmado por autoridades da CIA, que os EUA participaram no golpe de Estado que aconteceu no Irã em 1953. Quem sabe também não tem dedo da CIA nesse ataque em Damasco? A resposta pode não ser necessariamente uma teoria conspiratória. Qual o resultado desses ataques? Basta olhar para, a Líbia, o Iraque, o Afeganistão, e encontrará a resposta. Ou para o Egito, por um caminho diferente, embora de resultados igualmente trágicos. Enfim, os que sempre se colocam na condição de libertadores das tiranias são os antigos e atuais responsáveis pelo caos reinante no Oriente Médio. Da colonização, na descolonização e na globalização.


O DISCURSO "HUMANITÁRIO" ALIMENTANDO MAIS GUERRA, MAIS MORTES E ILUDINDO AS PESSOAS
Essa intervenção não é por direitos humanos, nem pelas vidas que estão sendo ceifadas em uma guerra estúpida. É pelo poder e hegemonia em uma das regiões estrategicamente mais importante da terra, pela riqueza que ela produz e pela necessidade de conter o avanço de potências regionais como a Rússia e o Irã.
Desde o século XIX geopolíticos britânicos e estadunidenses escreviam sobre a necessidade de criar um círculo no entorno do que era considerado como o "heartland" (ou o coração do mundo), a Rússia e as estepes asiáticas (Mackinder, geopolítico britânico). Dizia ele que quem controlasse essa região dominaria o mundo. Spykman (geopolítico) estadunidense concordava com Mackinder sobre o heartland (ou ilha-mundo), mas dizia que era preciso controlar as franjas que cercavam essa região (Rimland). Para Spykman para dominar o mundo não é preciso controlar diretamente o "coração", mas basta cercar o que ele chamava de "crescente interior". Depois da segunda guerra essa estratégia foi aplicada pelos EUA, principalmente com a criação da OTAN, e segue sendo assim mesmo depois da guerra fria.
A necessidade da guerra é por esse controle, então ameaçado pela eminência do Irã se armar atomicamente, pela recuperação da Rússia e pelo crescimento econômico da China. Ademais, a guerra sempre possibilita as economias, principalmente aquelas que estão distanciadas do centro do conflito (como os EUA, beneficiado geograficamente), se beneficiarem com o aumento da venda de armamentos. As armas enviadas pelos EUA e potências européias para alimentar a guerra civil na Síria, e outras, fomentam a indústria da guerra, são pagas pelos Estados em crise e destroem vidas em todas as partes do mundo.
O discurso humanitário é um engodo, difundido pela mídia para iludir incautos, ingênuos e alienados. Criticar isso não significa tomar partido em algum lado, mas demonstrar, em essência, o que está por trás dessa guerra. Nenhuma guerra  tem razões humanitárias. E uma guerra, e toda a estupidez que ela apresenta significa a falência da política. Não há bonzinhos nessa história, há justas e necessárias reações a governos ditatoriais e fascistas, mas os limites das fronteiras dos países devem ser respeitados. Os rebeldes que atuam na Síria são considerados terroristas fora dela, inclusive a AlQaeda que está se fortalecendo em meio à guerra civil, apesar do avanço sobre áreas dominadas por eles, pelo exército Sírio.
A PARCIALIDADE DA MÍDIA E A DESINFORMAÇÃO DOS JORNALISTAS
A mídia brasileira compra o peixe conforme ele é vendido pelos EUA. Os jornalistas brasileiros, em sua maioria, reproduzem os informativos do porta-voz da Casa Branca, e não se preocupam em investigar o que estão noticiando. Sequer buscam na história fatos semelhantes para desmascarar o poder imperial. Cedem a ele e reafirmam a total submissão aos seus interesses. Infelizmente não se pode criticar somente os grandes meios de comunicação. Os jornalistas, em geral, são desinformados sobre a geopolítica mundial.

O governo dos EUA não passou o "relatório" sobre o uso de armas químicas para a imprensa. E é estranho ele poder chegar ao número exato de 1429, mortos. Como isso foi conseguido diante do caos reinante na área bombardeada? Quem passou esses dados? Como a investigação foi feita e por qual lado? É possível que grupos terroristas que atuam entre os rebeldes possam ter usado uma estratégia terrorista para atrair o ocidente para a guerra civil síria. Porque se afirma aquilo que a Casa Branca deseja? Pode ter sido o governo Sírio o culpado? Tudo pode numa guerra, mas teria sido uma decisão burra, já que o governo sírio está ganhando a guerra e retomando posições importantes.

O discurso de Obama é parecido com o de Bush. Até hoje estão procurando as armas de destruição em massa do Iraque. Na Síria, de fato houve um ataque covarde à população, mas como confiar em grupos rebeldes sendo que em seu meio, cada vez mais forte, está atuante à Al Qaeda. Somente na Síria esse grupo não é terrorista? Todos os dias eles explodem bombas por lá. Isso se parece com a maneira como os Talibãs foram tratados pelos EUA no Afeganistão para expulsar os soviéticos. Ronald Reagan, então presidente os chamavam de "Guerrilheiros da Liberdade". O medo dos EUA, em verdade, é que esses armamentos químicos, sejam do lado do Assad ou dos rebeldes, possam ser usados em ações terroristas contra eles próprios. O discurso de defesa humanitária é "conversa fiada para boi dormir". Se eles atacarem possíveis depósitos de armas químicas, os efeitos colaterais podem ser pior do que o rastro de morte que eles deixaram no Iraque. Bombardear um país em guerra civil só fará aumentar o caos na região. E nenhum país tem o direito de fazer isso unilateralmente. Os resultados dessa estupidez são maiores do que a estupidez da própria guerra civil.

Em 2012 escrevi um artigo no Blog Gramática do Mundo sobre a crise na Síria. Segue o link logo abaixo:
No link do jornal Estadão a farsa preparada para justificar a invasão do Iraque:

Um comentário:

  1. Mais um ótimo artigo meu caro amigo Romualdo. Parabéns. Um grande abraço.

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